Apaixonar, casar, romper

Espetáculo “#140 ou Vão”, da Cia. Afeta, explora o imediatismo de relacionamentos amorosos contemporâneos

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Dentro. 
No palco, a história do casal Vitor (Alexandre Cioletti) e Antônia (Ludmilla Ramalho) acontece inteiramente no elevador
SamuelMendes.com
Dentro. No palco, a história do casal Vitor (Alexandre Cioletti) e Antônia (Ludmilla Ramalho) acontece inteiramente no elevador

Estimulados a criar um peça que retratasse aspectos em torno de relações amorosas nos dias atuais, integrantes da Cia. Afeta deram à luz “#140 ou Vão” no início de 2014, quando estreou. A peça agora volta ao cartaz, a partir desta segunda, no Teatro Alterosa, pela Campanha de Popularização do Teatro. “Somos uma geração de transição. Nossos pais, por exemplo, viviam um modelo de relação totalmente diferente, em que tudo era mais sólido. Chegamos e quebramos esses parâmetros e a peça é, assim, uma forma de descobrir e entender esses novos modelos”, conta a atriz do espetáculo e diretora Ludmilla Ramalho.

Com a premissa em mente, Ludmila e o diretor Nando Motta entraram em contato com o escritor Felipe Rocha – vencedor dos prêmios Shell, Questão de Crítica e APTR (Associação de Produtores Teatrais do RJ) de melhor dramaturgia (2011) –, para que ele pudesse escrever a peça. Depois de imersão que durou três meses, nasceu a história do casal Vitor (Alexandre Cioletti) e Antônia. “Ficamos inteiramente por conta da criança da peça. Enquanto cuidávamos do processo, o Felipe escrevia”, lembra.

Resumidamente, a montagem mostra todos os estágios de amor pelo qual o duo passa: paixão vertiginosa, ir morar juntos e o rompimento.

Tudo muito rápido, da mesma forma, opina a atriz, que acontece com as relações desta segunda e com sua personagem. “A Antônia é uma personagem da urgência. Tem uma cena que exemplifica bem isso: ela escreve que quer ficar grávida depois de dois meses de relacionamento”, aponta.

Em comum, ambos personagens apresentam uma característica que aproxima ainda mais a peça da contemporaneidade, concordaria Stuart Hall. “O interessante do texto do Felipe é que cada um dos personagens têm várias facetas. Não tem um só com lado romântico, há várias camadas de cada um deles, assim como a maioria de nós”, opina.

Recursos. Reforça a proposta central da montagem o fato de todos os cerca de 50 minutos de espetáculo se passarem dentro de um elevador. A ideia é, na verdade, uma adaptação de um caso que aconteceu com um amigo do Nando. Segundo o diretor, o parceiro teria dito que resolveu todo seu relacionamento em conversas dentro do meio de transporte.

Na peça, a história pessoal foi adaptada e o elevador ganhou variados significados. “Ele representa várias metáforas, desde a relação com o tempo, até mesmo a imprevisibilidade do que pode acontecer”, comenta Ludmilla.

Para contar essa história, a Cia. Afeta utilizou de um outro novo recurso: a comédia. Até então, o grupo nunca havia se enveredado para esse gênero. Em suas outras peças, como “Talvez Eu Me Despeça” e “180 Dias de Inverno” – ambas também em cartaz pela Campanha – o grupo sempre esteve próximo ao drama. “A gente se arriscou e trouxe essa linguagem”, diz a atriz.

A experiência, no entanto, tem se mostrado satisfatória aos olhos de Ludmilla, que avalia com prontidão as impressões sobre a incursão. “A comédia tem um poder de comunicação grande, a resposta do público é imediata. Ao contrário do que acontece no drama”, compara.

Grande parte desta percepção é comprovada pelo contato que o público faz com os atores, conta. “Além de conseguirmos ver na hora o que o público está achando por meio das risadas, há maior contato deles depois da peça, um retorno maior”.

Com uma cenografia futurista, assinada pelo cenógrafo Ed Andrade, e utilizando de vários recursos digitais para luz – desenho de Marina Arthuzzi, “#140 ou Vão” teve como inspiração obras cinematrográficas como o “Medianeras”, de Gustavo Taretto, e “Amor”, de Michael Haneke.

Agenda

O quê. “#140 ou Vão”

Quando. Desta segunda a quarta-feira, às 20h

Onde. Teatro Alterosa (avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta)

Quanto. R$ 15 (inteira)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave