Têxteis perdem competitividade

Empresas já sofrem impactos no aumento de custos devido à escassez de água e à alta da energia

iG Minas Gerais | JULIANA GONTIJO |

Reflexos. Ana Cristina Veloso, diretora da Britânnia, diz que custo da energia faz empresas perderem competitividade e rentabilidade
JULIANA GONTIJO
Reflexos. Ana Cristina Veloso, diretora da Britânnia, diz que custo da energia faz empresas perderem competitividade e rentabilidade

Medellín. Colômbia. Com as perspectivas nada otimistas para a economia brasileira por causa do aumento dos custos devido à escassez de água e ao racionamento de energia iminente, empresas brasileiras do segmento têxtil e de confecção estão buscando ampliar a participação no comércio internacional. É o caso da Têxtil Britânnia, que tem fábrica em Barbacena, na região Central do Estado. “O mercado brasileiro está em crise, e, para não cair a produção, estou prospectando novos mercados”, esclarece a diretora da empresa, Ana Cristina Veloso.  

Ela participou, em Medellín, da feira Colombiatex das Américas, que terminou na última quinta-feira, dia 29. “Foi minha primeira participação aqui. A feira é uma vitrine para vários países. Já tive visitas de empresários da Costa Rica e Equador”, diz. Há 30 anos no mercado brasileiro, Cristina frisa que não é de hoje que atua no mercado externo. “Já exportamos há 20 anos. A Austrália é o nosso maior cliente. Também vendemos para alguns países da Europa, Estados Unidos e México”, diz ela.

Com o dólar mais caro, ela espera aumentar as exportações. Hoje, 75% da produção da Britânnia fica no Brasil. “A atual cotação da moeda norte-americana também ajuda o país a importar menos, o que é um ponto positivo”, analisa.

Custo de energia. Mesmo que não seja decretado o racionamento, os reflexos da falta de água já estão sendo sentidos pelos empresários no custo da energia, segundo a diretora da Britânnia. “Com isso, as empresas perdem competitividade e a rentabilidade diminui”, observa ela.

Cristina explica que gasta muita água no tingimento das peças. “Só que temos tecnologia adequada para a sua reutilização”, diz. E com relação ao fornecimento de energia, a diretora ressalta que a empresa tem um gerador que comprou há três anos. “Eu já estava com receio do que poderia acontecer com a energia no país. Aliás, a possibilidade de faltar energia já era cogitada há alguns anos”, diz.

Ela afirma que está muito preocupada com a escassez de chuvas e o impacto na vida das pessoas e na economia. “No período chuvoso, praticamente não choveu, imagina na época da seca”, questiona.

A Cedro Têxtil é outra empresa mineira que participou da feira na Colômbia. A gerente de exportação, Alessandra Leonel, afirma que a atual cotação da moeda norte-americana frente ao real pode ajudar nas exportações. Entretanto, ela observa que a produção brasileira enfrenta o problema dos custos altos. “O custo Brasil é alto, e o problema da energia começou a impactar mais. Concorremos com outros países onde o imposto é zero e com alguns onde a mão de obra é muito barata ou quase escrava”, esclarece a gerente de exportação.

A água é essencial para o segmento têxtil, segundo o diretor comercial da também mineira Santanense, Rogério Gonçalves. “Se faltar água para uma planta do setor, ela para. As indústrias vêm investindo e gastando cada vez menos água”, diz.

A repórter viajou a convite da Colombiatex das Américas/Inexmoda

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