Unânime, mas em pé de guerra

Mensagem de Pimentel criticando governo tucano foi lida, e clima entre base e oposição esquentou

iG Minas Gerais | Guilherme Reis / Isabella Lacerda |

Juramento. Dos 77 eleitos em outubro, 26 são novatos
LINCON ZARBIETTI
Juramento. Dos 77 eleitos em outubro, 26 são novatos

A nova Mesa Diretora da Assembleia foi eleita por unanimidade – tendo como presidente Adalclever Lopes (PMDB)–, mas bastou uma mensagem do governador Fernando Pimentel (PT) com críticas à gestão do PSDB no Estado ser lida em plenário para o clima entre base e oposição azedar durante a cerimônia de posse. O texto afirma que os 12 anos em que Minas foi governada com o chamado “choque de gestão” tiveram resultados negativos nas diversas áreas, principalmente na economia, o que coloca o Estado em “situação preocupante”.  

Para o deputado cotado como líder da oposição na Casa, João Leite (PSDB), a mensagem enviada chama os parlamentares “para a guerra”. “Estamos prontos. O vice-governador nos chamou para a briga. Eles terão uma oposição duríssima na Assembleia”, declarou o tucano, que classificou PT e PMDB como “desmoralizados”.

Minutos depois, o líder do governo na Casa, deputado Durval Ângelo (PT), reafirmou a mensagem do governador e disse que, em 60 dias, será mostrado que “a administração tucana é o governo do faz de conta”. “Não queremos guerra. Queremos diálogo e paz e amor”, afirmou.

Por trás do embate já iniciado entre PT e PSDB há, na verdade, uma disputa pelo apoio dos 22 partidos que conseguiram uma vaga na Assembleia. Neste domingo, base e oposição disputaram quem já conseguiu mais apoios para a criação dos blocos. Segundo o deputado João Vítor Xavier (PSDB), a bancada oposicionista pode chegar a 32 deputados, dez a mais do que a previsão feita pelo PT. Siglas como PTB, PDT, PSB, PPS e até o PSD, que estavam negociando com o governo, já teriam aderido ao bloco liderado pelo PSDB. “Com 29 deputados, teremos a presidência de dez comissões e seis vice-lideranças”, aposta João Leite. Nesta segunda, o PPS deve assinar a lista para a criação do bloco de oposição.

A informação, no entanto, é negada pelo PT. Segundo Durval Ângelo, os blocos dos independentes – que terá como líder Agostinho Patrus (PV) – e da base chegarão juntos a 55 deputados, o que garante governabilidade a Pimentel.

A definição sobre o equilíbrio de forças só deve ocorrer dentro de um mês. Neste domingo e segunda já havia reuniões agendadas para tentar fechar os acordos partidários. No momento, o maior alvo é o PSD, que tem dois parlamentares na oposição e dois independentes.

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