Bozzano promete 'sacudir o apito' em Minas Gerais

Novo presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Mineira de Futebol muda estilo de trabalho na entidade

iG Minas Gerais | VINÍCIUS SILVEIRA |

Advogado, ex-árbitro Giuliano Bozzano atuou em defesa dos profissionais do apito
MARIELA GUIMARÃES/O TEMPO
Advogado, ex-árbitro Giuliano Bozzano atuou em defesa dos profissionais do apito

Desde 2014, a Federação Mineira de Futebol (FMF) tem um novo comandante na comissão de arbitragem em Minas Gerais: o ex-árbitro Giuliano Bozzano, de 37 anos. Prodígio desde cedo, Giuliano Bozzano é filho do ex-árbitro Dalmo Bozzano, e foi seguindo os passos do pai que o jovem de 19 anos iniciou sua carreira na arbitragem, filiado à Federação Catarinense de Futebol.

Rapidamente, Giuliano deixou as fronteiras de Santa Catarina e passou a apitar em campeonatos nacionais.

No decorrer da carreira, Giuliano foi criando o próprio estilo de apitar, mas sem esquecer os ensinamentos do pai. O então jovem árbitro também conviveu com outras figuras da arbitragem brasileira, como Dulcídio Vanderlei Boschillia, na época, afastado dos campos, mas trabalhando como delegado nos jogos de futebol, além de ter outros juízes contemporâneos, dentre eles, Márcio Resende de Freitas, Antônio Pereira da Silva, Sidrack Marinho, Paulo Cesar de Oliveira, dentre outros.

Em 2000, formou-se em direito e exerceu o trabalho no campo jurídico até assumir o cargo na FMF. Da mesma forma que iniciou sua carreira, Giuliano Bozzano também parou precocemente, com apenas 33 anos. Logo após “pendurar o apito”, Bozzano fez parte do corpo diretivo da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf). Posteriormente, assumiu o atual cargo na Federação Mineira de Futebol.

Giuliano Bozzano concedeu entrevista com exclusividade ao Super FC, falando de assuntos como vida pessoal, profissional e o cargo de chefão da arbitragem no futebol mineiro.

Porque você parou de apitar tão cedo?

Comecei com 19 anos apitando jogos do Campeonato Brasileiro, em 1996. Em 2009, eu tive uma pequena lesão no calcanhar. Pedi licença à CBF para fazer uma cirurgia. Como sou advogado e, na Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), não tinha quem exercesse a função, a CBF e a entidade me convidou para advogar por eles. Me recuperei, mas foi tão proveitosa minha passagem por lá que eu acabei ficando e encerrei a carreira.

Sua função na Anaf era representar os árbitros no STJD?

Exatamente. Durante o Brasileiro, em todas as divisões, os árbitros são julgados no STJD, muitas vezes, por algum erro técnico. Eu participava como advogado dos árbitros.

Você preside agora a comissão de arbitragem da FMF. Quais são os seus objetivos?

Fizemos algumas mudanças no final do ano passado, como a divisão do quadro de árbitros por grupos, dependendo da avaliação e da capacidade. Agora a comissão definiu o uso da corregedoria para denúncias ou fatos que desabonem o quadro da FMF, no sentido moral ou social. O torcedor pode usar o e-mail corregedoria@fmfnet.com.br. Essas mensagens serão analisadas para que, se necessário, atitudes sejam tomadas. Também foi instituída a ouvidoria, para sanar as dúvidas dos clubes. Os clubes terão um parecer técnico: se houve acerto ou erro, ou o porquê do acerto ou do erro e como o árbitro se portou.

No Brasil, a arbitragem enfrenta uma enorme descrença da torcida e dos clubes. Como você vê essa situação?

Compreendo que o árbitro seja válvula de escape de muitos clubes e torcedores. É notória a cultura no futebol sul-americano e, principalmente, no Brasil. Isso acontece para se esconder falhas ou para que a raiva seja direcionada exclusivamente ao árbitro. Por isso, criamos a ouvidoria aqui na FMF.

Não será feito denúncia desde que a acusação não tenha fundamento técnico. Por isso, é necessário que haja uma concordância da ouvidoria com a falha do árbitro. O que quero dos árbitros é que as falhas ocorram o mínimo possível e que, se vier a acontecer, que não venham interferir no resultado da partida. O que a comissão não vai fazer é o veto puro e simples, às vezes, por questão explícita e objetiva.

Insatisfeitos, os clubes costumam pedir a convocação de árbitros de outros Estados em jogos decisivos. Como pretende tratar desse assunto?

Pretendo fazer um trabalho juntamente com os clubes para que nossos árbitros sejam mais valorizados. O meu dever é fazer com que os árbitros mineiros apitem o Campeonato Mineiro até a final. Hoje nós temos o melhor árbitro do país, que é o Ricardo Marques Ribeiro.

Antes de sua gestão, quem presidia a comissão era José Eugênio. Você encontrou alguma irregularidade?

Gostaria de dizer que não encontrei irregularidades. Encontrei um modelo de gestão diferente do meu. Cortei alguns árbitros, por entender que a conduta social deles não era condizente à função que eles ocupavam.

Você é a favor do sorteio para a escalação dos árbitros?

Sou totalmente contra o sorteio, sempre fui contra e acho que é um desserviço ao futebol, pois dificulta muito a vida do gestor, porque cada jogo tem uma característica e cada árbitro tem uma característica. O sorteio dificulta meu trabalho, pois, muitas vezes, não tenho dois árbitros com o mesmo perfil para um jogo.

Você vai utilizar o sorteio em sua gestão?

Vou utilizar o sorteio, mas para os árbitros centrais, ou seja, os juízes, como a lei exige. E não vou fazer o mesmo trabalho para os assistentes, porque a lei não obriga.

Como vê o surgimento de várias assistentes femininas no Brasil?

Quando era árbitro, já trabalhei com mulheres, e eram excelentes assistentes, como a Silvia Regina, a Ana Paula Oliveira. Aqui em Minas, temos a Janete Mara Arcanjo, que foi ao Catar e foi aprovada nos exames. 

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