Seca castiga o rio das Velhas

Para um período de chuva, nascente deveria ter o dobro de água, mas volume é igual ao de seca

iG Minas Gerais | humberto Santos |

Seco. Há seis anos, Ronald Carvalho navegou por todo o rio das Velhas
DANIEL DE CERQUEIRA
Seco. Há seis anos, Ronald Carvalho navegou por todo o rio das Velhas

Responsável por 40% do abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte e por 60% da capital, o rio das Velhas está com metade do volume que deveria ter na região da nascente, em Ouro Preto. “Em janeiro, com chuvas, deveria estar pelo menos o dobro do que está aí. Está com volume de período de estiagem”, afirma o consultor Ronald Carvalho Guerra.

O alerta de Roninho, como Ronald é mais conhecido, se torna mais preocupante por causa de sua relação antiga com o Velhas. Há 30 anos ele está em São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, onde tem uma propriedade. Acostumou a ver o rio todos os dias. Além disso, foi um dos canoístas que desceu o Velhas, da nascente a foz, pelo projeto Manuelzão, em duas oportunidades: 2003 e 2009. A falta de água é sintomática para Roninho, pois ele está acostumado a colocar o caiaque na água para navegar. No ponto em que entrou na embarcação, na última quinta-feira, cerca de 16 km abaixo da nascente, o canoísta teve dificuldade para vencer as pedras e as “corredeiras”. “O rio das Velhas está sem água. As águas que têm, são as que estão empossadas. Passo por aquelas pedras correndo e agora fiquei preso”, disse Roninho, após ter que empurrar o caiaque preso entre pedras. Ele chegou a ficar “encalhado” no cascalho. A Agência Nacional das Águas (ANA) monitora o volume e a vazão do Velhas. No entanto, não há um ponto de medição no parque das Andorinhas para confirmar a percepção visual de Roninho. O primeiro ponto cujo dado está disponível no site do órgão é em Itabirito, na fazenda Vertentes. Neste ponto, o último dado disponível no site do órgão é do dia 16 de janeiro, com uma vazão de 0,95 metro3/s (ou 950 litros por segundo). Em fevereiro de 2010, a média foi de 4m3/s ou 4.000 litros por segundo. Em Itabirito, às margens da represa Rio de Pedras, as águas represadas do Velhas baixaram cerca de um metro. “Baixou muito, uma parte do lago já secou. Tem uns funcionários que vinham trabalhar de barco, mas tiveram que percorrer uma distância maior”, diz a funcionário do balneário às margens do lago, Gislaine Aparecida Souza. Segundo ela, que trabalha no local há 12 anos, é a maior seca que já viu. “O atracadouro dos barcos ficava no alto da escada. Agora, está lá longe”, conta.

Parque O Parque Municipal das Andorinhas, em Ouro Preto, parecia abandonado na última quinta-feira. No local estava apenas um vigia, uma faxineira e uma estagiária, na parte administrativa. Ao nos aproximarmos, o vigia, que descansava – deitado e sem camisa – correu para nos receber, vestindo o uniforme rapidamente. A estagiária nos informou que nos próximos dias um novo convênio deve ser assinado e, com isso pessoal preparado.

Lixo Enquanto mostrava o Velhas no Parque das Andorinhas, Roninho catava lixo espalhado entre as pedras e águas. Latinha de alumínio, pet, sacos plásticos e embalagens de alimentos foram recolhidos em pouco minutos. Mesmo em pouca quantidade, o lixo chamou a atenção do casal de turistas argentinos Jose Duduchark e Silvia Iturriaga. Os dois estavam maravilhados com o encontro da “natureza com a história”. “Mas está descuidado”, disse Jose.

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