Sem recurso, recuperação para

Apesar de campanhas para preservação, latinhas, garrafas e até cuecas são jogadas no entorno

iG Minas Gerais | Humberto Santos |


Vegetação ao redor da nascente do Velhas cresceu após recuperação da área
DANIEL DE CERQUEIRA
Vegetação ao redor da nascente do Velhas cresceu após recuperação da área

No imaginário das pessoas, a nascente de um rio é onde a água brota em volume que impressiona. Mas nem sempre é assim. No rio das Velhas, quem vê aquela pequena quantidade emergindo devagar no meio da terra, não acredita que ele vai se tornar num dos principais afluentes do rio São Francisco. Mas a nascente do Velhas tem uma peculiaridade: renasceu após anos de mineração de quartzito ao seu redor.

O projeto “Flores e águas da nascente do Velhas” capacitou os antigos mineradores a recuperar a área ao redor da nascente. Elaborado pela Prefeitura de Ouro Preto e financiado pelo Fundo Estadual de Proteção de Bacias (Fhidro) o projeto tinha orçamento inicial de R$ 477 mil. Com quase sete anos após a primeira intervenção, já é possível ver a vegetação retornando, naturalmente ao seu redor, após a erosão ser contida. Mas nem tudo são flores. “A situação da nascente me surpreende positivamente, mas agora precisa de continuar a manutenção do projeto, da nascente. Infelizmente o projeto parou por falta de recurso”, explica Ronald Carvalho Guerra, o Roninho. Seria essa intervenção que permitiu o Velhas manter o local “original” da nascente. “Com a seca, esperava encontrar a água brotando mais baixo deste ponto”, diz Roninho. A segunda fase do projeto seria a construção de uma estufa para a produção de mudas nativas. As obras da estufa e do galpão foram iniciadas, mas por falta de água para irrigar as mudas, a estrutura foi abandonada. Só com a construção desta estrutura foram gastos pouco mais de R$ 170 mil, segundo os editais de licitação. Mesmo com a interrupção do projeto, Roninho destaca que a percepção das pessoas mudou em relação à nascente e à preservação. A área ao redor da nascente está cercada. “Se voltarem a explorar quartzito, ou ocuparem a área as pessoas vão ligar, denunciar”, diz o consultor. Mas mesmo com essa mudança de percepção, não foi difícil encontrar latinhas de cerveja, garrafa de vidro, sandália de borracha e até uma cueca na área próxima à nascente.

Esgoto O bairro São José, vizinho do parque das Andorinhas, possui um sistema de bombeamento de esgoto para a estação de tratamento. No entanto, 16 residências estão fora desse sistema por causa de limitações técnicas. Enquanto não é encontrada uma solução, o esgoto é jogado montanha abaixo. A água da chuva se encarrega de levar os resíduos para o Velhas.

Loteamento No percurso até a nascente, a reportagem deparou-se com tratores iniciando um loteamento, com ruas já abertas. Como havia chovido na noite anterior, as águas pluviais iniciaram um processo de erosão e carreamento da terra morro abaixo. A equipe estava na estrada da Serra da Pedra de Amolar. Não se sabe se a nova área residencial de Ouro Preto tem registro ou estudo de impacto ambiental.

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