Por dia, cada brasileiro consome 5.500 l de água que ninguém vê

Do leite à cerveja, do milho à carne, toda produção depende de milhares de litros d’água

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Produção. 
Cada quilo de carne gasta mais de 15 mil l de água, e um copo de cerveja gasta 75l
JOAO GODINHO/ O TEMPO
Produção. Cada quilo de carne gasta mais de 15 mil l de água, e um copo de cerveja gasta 75l

Água para beber, tomar banho, lavar a louça e a roupa. O consumo de uma pessoa vai muito além do líquido que ela vê escorrer pela torneira. Entra na conta também a chamada água virtual, que é o volume usado para produzir produtos e serviços que são consumidos. O total de água real e virtual forma a chamada pegada hídrica,que é o “rastro” de consumo deixado por uma pessoa, empresa ou país e é calculado com base sem dados da Unesco, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

No Brasil, a pegada hídrica é de 2.027 m³ por habitante a cada ano, o que equivale a 5,5 m³ por dia ou 5.500 litros diários para uma pessoa. Para um litro de leite, por exemplo, são necessários mil litros de água, considerando todo o gasto desde o necessário para plantar o milho que servirá de ração para a vaca. Usando a mesma metodologia, os pesquisadores indicam que em um copo de 250 ml de cerveja há 75 litros de água e em uma xícara de café, 140 litros de água. Para produtos industrializados, a média é de 80 litros de água para cada US$ 1 gasto na produção. Consumo. O alto gasto para produzir todo tipo de produto deve servir de alerta, ainda mais com a estiagem intensa dos últimos anos, que pode levar a racionamento de águe a luz. A redução do consumo tanto direto, quanto indireto de água é papel que cabe ao consumidor, diz a Coordenadora do MBA em Gestão do Ambiente e Sustentabilidade da FGV/Faculdade IBS, Susana Feichas. “A produção está na mão dos consumidores. A indústria produz o que o consumidor deseja. Então é o consumo que deve mudar”, diz. Ela lembra que a agricultura e a indústria consomem, juntas, mais de 80% da água e têm que ser pressionadas a usar técnicas que reduzam o volume necessário para produzir cada item. Como a água até agora foi um bem abundante, diz ela, a racionalização do uso e recuperação dos danos não foram prioridade na produção, nem estimuladas por políticas públicas. “Sem dúvida, a recuperação onera a produção, mas ainda não se fez a conta do ônus da falta de água sobre a produção”, alerta a especialista. Susana diz que é o consumidor quem sinaliza para a mudança do cenário, valorizando produtos mais sustentáveis, o chamado consumo verde. “Na verdade, deveríamos procurar cada vez mais produtos verdes. Aqueles que são produzidos com menor consumo de energia, material reciclado, produzidos sem exploração de mão de obra, por um preço justo”, diz.

Estiagem Sem chuvas. Até agora, não choveu o esperado no país. A média em janeiro na região Sudeste, a mais importante para o armazenamento, foi de cerca de 43% da média histórica do mês.

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