Planalto se une contra Cunha

Esquema de “força-tarefa” em apoio a Arlindo Chinaglia (PT) foi reforçado às vésperas da votação

iG Minas Gerais |

Dor de cabeça. 

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andidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (D) não agrada o Planalto
DIDA SAMPAIO
Dor de cabeça. O c andidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (D) não agrada o Planalto

Brasília. A possibilidade de vitória do candidato do PMDB à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), acendeu o sinal vermelho no Palácio do Planalto. Ao longo da semana, ministros do PT e até governadores do partido entraram em campo, pressionaram deputados da base aliada e dispararam telefonemas pedindo votos para o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). A força-tarefa, no entanto, parece ter surtido pouco efeito.

Embora ministros petistas digam em público que a situação de Chinaglia melhorou, nos bastidores muitos já jogaram a toalha. Com o apoio oficial de alguns partidos da base e o informal de integrantes da oposição, Cunha tem tudo para ser eleito hoje, mesmo se a disputa for em dois turnos.

“Terminada a eleição, vamos tentar lamber as feridas e unificar a base aliada do governo”, disse ao Estado o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas. Na Câmara, o comentário é que Cunha dará muita dor de cabeça ao governo nos próximos dois anos, em caso de triunfo.

“Terremoto é sempre até o dia do acontecimento. Depois que acontece, fazer o quê?”, emendou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, que passou os últimos dias na articulação da campanha de Chinaglia.

O racha na aliança governista é apenas um dos problemas que o Planalto enfrentará, se Cunha vencer a briga. Conhecido como “gênio do mal”, o líder do PMDB é desafeto da presidente Dilma Rousseff e já pôs o partido várias vezes contra o Planalto. Fez de tudo para barrar a Medida Provisória dos Portos, incentivou a criação da CPI da Petrobras e articulou um movimento para rejeitar o decreto que instituía os conselhos populares.

Impeachment. O temor do governo é que Cunha, no comando da Câmara, estimule votações contrárias aos interesses da equipe econômica e até defenda a abertura de um processo de impeachment da presidente, se não for atendido em suas reivindicações. Cunha disse que, se eleito, agirá com “independência” em relação ao governo, mas jurou não endossar sugestões pró-impeachment de Dilma. Garantiu, porém, que sua primeira medida será pôr na pauta o “orçamento impositivo”, para desespero da presidente.

A proposta torna obrigatória a execução de despesas agregadas ao orçamento sob a forma de emendas individuais de parlamentares. “Só que eu não sento na cadeira antes da hora, porque dá azar”, ressalvou Cunha.

Questionado sobre o uso da máquina em benefício de Chinaglia, o ministro negou a prática e disse que a caça aos votos só ocorreu para reagir à ofensiva do PMDB. “Eu entrei como ministro petista, assim como os ministros do PMDB se reuniram e declararam apoio (a Eduardo Cunha). Isso não é bom, porque o governo precisa da sua base de sustentação unificada. Mas, como a paciência é a mãe dos acordos, esperarei até que o rio volte ao leito natural”.

Envolvimento

Acordo. Cunha disse que desconhece qualquer negociação entre o PMDB e o PT para que os deputados petistas apoiem sua candidatura. Em troca, o PMDB teria que apoiar um candidato do PT daqui dois anos.

Mulheres Em encontro com um grupo de 20 mulheres de deputados, o candidato à presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu apelos para que, se eleito, volte a incluir a previsão de passagens aéreas das esposas na verba de gabinete dos parlamentares. “Não esqueci”, disse o peemedebista antes do chá organizado pela deputada Nilda Gondim (PMDB-PB). Mulheres de deputados que estavam no evento afirmaram que Eduardo Cunha procura sempre incluí-las nas conversas sobre o Congresso.

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