Atrás do público segmentado

Um dos exemplos mais emblemáticos de ser popular e transitar entre o mainstream e o underground é o rapper Criolo

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Nos anos 80, uma das metas de todo jovem músico era assinar com uma grande gravadora, ter suporte de divulgação para tocar nas rádios e, quem sabe, se apresentar em um estádio para milhares de pessoas. Hoje em dia esse pensamento rockstar praticamente morreu. A gama cada vez maior de artistas independentes surgindo no país tem formado públicos específicos e robustos, mesmo longe do mainstream.  

É assim com o Metá Metá, formado pelo talento de Juçara Marçal (vocais), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (violões), que faz shows por todo o país. Em uma das últimas apresentações, no domingo de aniversário da cidade de São Paulo, o trio conseguiu atrair a atenção de 10 mil pessoas, logo após o show da Nação Zumbi. Para o cantor e compositor paulista Rômulo Fróes, uma das principais revelações da música brasileira, que estreou com o álbum “Calado” (2004), considerado um dos discos mais influentes da música nacional no século XXI pela “Folha de S.Paulo”, é necessário observar um público interessado numa música específica, que não aparece na TV ou rádio.

“Eram 10 mil pessoas enlouquecidas cantando canções em iorubá (língua africana). Tem noção? Se essa música tocasse numa novela, seria popular, certeza. Então, não existe mais essa história de que não faz sucesso porque não é popular ou não é popular porque não faz sucesso. Não temos a indústria do nosso lado, mas temos público sendo formado, e um público forte que sabe o que quer”, crava o músico paulistano.

Um dos exemplos mais emblemáticos de ser popular e transitar entre o mainstream e o underground é o rapper Criolo. Mesmo quando “Nó na Orelha” (2011) levou o hit “Não Existe Amor Em SP” para tocar em praticamente todas as rádios do Brasil e apresentou uma mistura inédita de samba, reggae, afrobeat e brega aliadas ao rap, o rapper não acha que saiu de seu lugar de origem. “O rap sempre foi popular. Cada dia que passa mais pessoas vão escrevendo, compondo e se desenvolvendo. O rap é forte por si só e não vejo problema em ser popular, pelo contrário”, analisa Criolo.

Um dos mais bem-sucedidos compositores da nova geração, Marcelo Jeneci escreveu letras para Vanessa, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan, e decolou logo no álbum de estreia, “Feito pra Acabar” (2010). Em um show em janeiro do ano passado na praça Horácio Sabino, em São Paulo, ele parece ter profetizado um contexto em que a maioria dos novos artistas independentes tem vivido. “Eu acho que a gente está vivendo um ciclo parecido com os anos 60, onde apareceram todos aqueles caras de uma única vez, só que esperando uma necessidade de expressão diferenciada. Isso que a gente está fazendo aqui hoje é tão importante quanto o que aconteceu em um festival da Record”, diz. 

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