O fanfarrão das redes sociais

No auge da fama, Alexandre Nero conquista milhares de seguidores com comentários espirituosos sobre si mesmo

iG Minas Gerais |

Piada. 
Alexandre Nero não perde a oportunidade de fazer piadas sobre sua condição de celebridade
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Piada. Alexandre Nero não perde a oportunidade de fazer piadas sobre sua condição de celebridade

“Cada like no Facebook é um shot de narcisismo”, já disse o escritor carioca Francisco Bosco. Partindo desta premissa, o ator Alexandre Nero, o comendador José Alfredo da novela “Império”, da TV Globo, está perto de se afogar em si mesmo. Com quase 100% de aprovação do público, segundo pesquisas de avaliação do elenco da emissora, e protagonista de uma atração que alcança 35 pontos no Ibope, Nero tem 100 mil seguidores em sua página no Facebook. A cada post, ingere uma média de 7.000 shots. Alguns alcançam 30 mil curtidas.

“O ator tem um assistente, mas ele escreve a maioria pessoalmente”, diz sua assessoria. O que tanto Nero, o ator curitibano de 44 anos, catapultado ao posto de galã nacional com um personagem politicamente incorreto e sedutor, tem a dizer, afinal? Tudo. É um sujeito de opinião. Seu assunto predileto, porém – como a maioria dos frequentadores de redes sociais –, é a própria vida.

Demasiado humano, Nero costuma estar sempre de olho na notícia. No início de janeiro, após o atentado à sede da revista francesa “Charlie Hebdo”, com 12 mortos, o ator postou artigos e caricaturas de si mesmo. Às 12h53 de 7 de janeiro, data do atentado, publicou na sua página um artigo destacando uma frase para expressar a sua opinião: “Enquanto houver hipócritas, idiotas e intolerantes, a ousadia, o humor e a crítica de homens raros como Wolinski serão necessários”.

Em geral, sua personalidade facebookiana varia entre sarcástica e zombeteira. Ou as duas coisas juntas. Uma de suas marcas é desdenhar da fama postando atestados de sua condição de celebridade, como capas de revistas. Costuma falar de si na terceira pessoa. No dia 23 de dezembro, às 0h37, divertiu-se: “Posso ser franco, Nero? Não, não pode! No máximo, um Alexandre”. Em 21 de dezembro, às 15h21, comentou uma foto sua num jornal. “Esse Nero só sabe fazer cara de mau. Ele também deve ser mau na vida real”, escreveu.

No último dia 27, o assunto foi diarreia. “Após meu piriri ter sido amplamente noticiado pela imprensa-especialista-marrom-piriri, acordei ótimo e já estou gravando normalmente”. Após a festa Melhores do Ano, do “Domingão do Faustão”, em que recebeu o prêmio de melhor ator, Nero confessou aos fãs o seu lado gente como a gente: “Eu no Melhores do Ano sou aquele funcionário que dá vexame na festa de fim de ano na firma. Open bar, gente, não sei lidar”.

E quando a sua morte virou boato na internet, em 26 de novembro, esbanjou espirituosidade: “Gente, alguém sabe me dizer se essa notícia é real? Se me confirmarem até as 14h não preciso gravar, né, Globo?”.

Com dez novelas, oito filmes, oito peças e uma carreira musical que inclui três CDs solo, Nero tornou-se o galã unânime da Globo, que agrada jovens e senhoras. No final do ano, conquistou detratores ao fazer um dueto com o Rei no especial de TV de Roberto Carlos. Cantou, e bem, “Mulher de 40”.

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