A importância do macho alfa

Figura essencial das novelas, posto de galã se equilibra entre o passado heroico e alterações contemporâneas

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Afonso Carlos/Czn
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Tradicionalista ou ousada, a teledramaturgia precisa recorrer aos arquétipos básicos para contar suas histórias. Não há novela sem os dilemas das mocinhas e a inveja dos vilões, por exemplo. Para somar ou contrapor, é no meio desses dois tipos que surge a figura do galã. Algumas vezes heroico, outras demasiadamente apaixonado ou ainda levemente bobo e irresponsável, a imagem masculina presente no imaginário do público vem sendo construída e atualizada ao longo do tempo. No imaginário coletivo, dois dos maiores símbolos deste papel são Tarcísio Meira e Francisco Cuoco, que ocuparam o posto de objeto de desejo das novelas desde meados dos anos 60 até o fim dos anos 90. Posteriormente, outros atores também foram alçados a mesma função, como Antonio Fagundes, Tony Ramos e José Mayer. “Nenhum ator escolhe ser galã, é uma aposta que está nas mãos de autores e diretores. Fui muito feliz com diversos personagens do tipo, mas uma hora fica muito repetitivo. Vira quase um fardo e é difícil sair da rota”, analisa Mayer.

Autor da atual novela das nove, Aguinaldo Silva foi um dos que mais escalou Mayer para o posto de protagonista. O autor já recorreu aos mais variados tipos de galãs em suas novelas. Na atual, resolveu lançar Alexandre Nero ao posto na pele de José Alfredo, um anti-herói com humor corrosivo, mas extremamente popular. “Embora o mocinho pareça mais realista hoje em dia e demonstre desejos, anseios e até maldades, a base desse tipo de papel é mesmo o herói que salva a trama e fica com a mocinha no fim”, conceitua. Em tempos de disputa na escalação de elenco, escolher nomes menos óbvios para o posto de galã é um saída arriscada, mas que provoca um frescor necessário às novelas. Supervisor de “Alto Astral”, Silvio de Abreu observou em trabalhos anteriores de Sérgio Guizé uma atuação mais delicada e sem tantos vícios do estereótipo de mocinho. Logo ele viu que o ator seria perfeito para o papel de Caíque. “É meu primeiro trabalho como protagonista. E acho que a principal diferença está no volume de trabalho. São muitas cenas para estudar e gravar. A dedicação muda mais por isso e não pela importância do papel dentro da novela”, analisa Guizé, com modéstia.

Sem tantos nomes em seu casting, a Record acaba não tendo muitas opções. Para a função de mocinho de “Vitória”, o nome de Bruno Ferrari sempre foi o primeiro da lista. Muito por conta de seu desempenho como o galã de “Bela, A Feia”, de 2009, e como vilão de “Balacobaco”, de 2012. Para o ator, voltar ao posto de protagonista não tem qualquer gosto de repetição. De cara, ele se encantou com as complexidades de Artur, um rapaz com traumas de infância e que vive em uma cadeira de rodas. “Não dá nem para comparar com outro mocinho que fiz. Os dramas dele são muito mais densos. É um trabalho que me empolga”, garante.

Porte alto, corpo em forma e jeito galanteador são características básicas para a imagem do galã. Pelo menos entre os anos 90 e 2000, era esse o perfil mais procurado para o posto. Foi nessas décadas que nomes como Humberto Martins, Maurício Mattar, Edson Celulari, Dalton Vigh e Thiago Lacerda despontaram como protagonistas. Mas atores como Guizé, Ferrari e Nero vêm cada vez mais desmistificando e questionando esse physique du rôle. Dentre os casos mais recentes, Bruno Gagliasso surge como uma opção diferente de galã, do alto de seus 1,65m. “Fiz os personagens mais variados antes de chegar ao mocinho. Nunca achei que isso fosse acontecer. Que bom que esse preconceito com atores mais baixinhos foi superado”, brinca o ator, que encarou seu primeiro mocinho em “Joia Rara” (2014).

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