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No ar em “Império”, folhetim das nove, Joaquim Lopes conta que pediu para fazer o teste para viver Enrico

iG Minas Gerais | luana borges |

Intensidade. Joaquim destaca trabalho de composição de seu papel na trama, com leitura de obras de Freud, por exemplo
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Intensidade. Joaquim destaca trabalho de composição de seu papel na trama, com leitura de obras de Freud, por exemplo

Joaquim Lopes é do tipo que corre atrás de seus objetivos. Tanto que não hesitou em pedir para fazer um teste para “Império” assim que soube que o personagem Enrico estava sem ator escalado. Tudo porque, depois de viver dois papéis cômicos em “Sangue Bom” e “Morde & Assopra”, ele sentia que estava na hora de mostrar ao público uma outra faceta como intérprete. E o perfil do então dono de restaurante da trama de Aguinaldo Silva caía como uma luva. Afinal, Enrico tem uma personalidade complexa: é homofóbico e capaz de atitudes condenáveis contra o próprio pai, que teve um relacionamento amoroso com outro homem no início da novela. “Acho que a gente vai encaminhando a carreira de uma certa forma que faça a oportunidade aparecer. Eu não acredito em sorte”, afirma ele, que recebeu a resposta positiva para interpretar o personagem dois dias depois do teste. “Me preparei bastante, fiz o que eu podia. E fui sem expectativa porque, assim, o que viesse seria lucro”, pondera.

Para compreender melhor o universo do papel, Joaquim contou com o auxílio da psicanalista Katia Achcar. Ela traçou o perfil psicológico de Enrico e indicou algumas leituras. Entre elas, obras de Freud e textos sobre relacionamentos entre pais e filhos, entre outros. “Também li sobre filhos que não sabem ouvir ‘não’, que têm tudo de mão beijada, que é o caso de Enrico. Fui atrás desses perfis psicológicos que têm a ver com meu personagem. O resto, o texto me deu tudo”, explica. Além disso, o ator enxerga uma função social em Enrico. “Desde o começo da novela, quis que o personagem servisse de denúncia, que fomentasse esse tipo de discussão a favor da criminalização da homofobia”, frisa.

Por conta do perfil preconceituoso de Enrico, Joaquim protagoniza cenas fortes. Uma das que mais marcaram o ator, inclusive, foi a sequência em que seu personagem batia em um travesti na praia. Logo em seguida, ele desistia de se casar com Maria Clara, interpretada por Andréia Horta. “Foi preciso muita concentração e disponibilidade para o personagem porque, se eu tivesse algum tipo de crítica ou julgamento, não conseguiria passar nenhuma veracidade”, acredita. Depois que terminou de gravar, o ator teve uma crise de choro. “É tão violenta a cena de bater em uma pessoa para querer destruí-la. Botei tudo para fora, mas, ao mesmo tempo, fiquei feliz. Saí de lá vazio, deixei tudo que podia dentro do estúdio”, recorda.

Pela primeira vez em uma trama das 21h, Joaquim sabe que alcança um público bem maior do que nas outras faixas. Apesar disso, encara qualquer trabalho com a mesma responsabilidade. “Eu me cobro do mesmo jeito sendo novela das seis, das sete, das oito, das onze, sendo teatro ou cinema, não importa. Mas, com certeza, é um divisor de águas”, pondera. Nas ruas, inclusive, é com frequência que ele é abordado por pessoas que assistem à novela. Muitas delas dizem sentir raiva de Enrico, mas não chegam a confundir personagem com ator. “Fico feliz que as pessoas estão odiando o personagem, mas gostando do meu trabalho”, comemora.

Perfil Nome completo:

Joaquim Santos Couceiro Lopes

Data de nascimento:

25 de abril de 1980

Local de nascimento:

São Paulo (SP)

Signo: Touro

Último papéis na TV:

Domênico Navarro de “Geração Brasil” (2014), Lucindo de “Sangue Bom” (2013), Josué Batista de “Morde & Assopra” (2011), Carlos do episódio “A Vingativa do Méier” da série “As Cariocas” (2010)

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