Carta de Tiradentes sugere criação de novo conselho audiovisual

Documento divulgado no último dia da mostra aponta ações centrais para futuro das políticas públicas no setor

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Salas de cinema em Tiradentes ficaram cheias
Leo Lara/Universo Produção
Salas de cinema em Tiradentes ficaram cheias

Uma tradição já realizada há cinco anos, a Carta de Tiradentes 2015 foi divulgada neste sábado (31), último dia da 18ª edição da mostra de cinema na cidade. O documento, que faz um diagnóstico da produção audiovisual no país, propôs uma série de ações centrais para estruturar as políticas públicas para a área. Entre elas, está a sugestão da criação de um Conselho Nacional de Política Audiovisual, mais amplo, representativo e colaborativo que o atual Conselho Superior de Cinema.

No texto, os coassinantes reconhecem os avanços alcançados, com relação à diversidade de produção e linhas de fomento, desde a primeira publicação da Carta, mas fazem demandas quanto aos gargalos ainda existentes. Os principais deles dizem respeito às áreas de distribuição e exibição, à presença do cinema brasileiro no cenário internacional e à necessidade de revitalização de aparelhos sucateados do Ministério da Cultura com a volta de Juca Ferreira.

A Carta pleiteia uma política “que distribua os recursos já existentes de modo a contemplar a inovação tanto do ponto de vista estético” e que “desenvolva iniciativas novas e arrojadas de distribuição e exibição capazes de vencer o histórico gargalo que marca o acesso aos conteúdos”. Além disso, ela solicita um avanço “na estruturação comercial do setor e na democratização da produção e acesso aos bens culturais”.

Para isso, os autores sugerem cinco ações estruturantes. Além da criação do Conselho Nacional de Política do Audiovisual, estão a diversificação do Fundo Setorial do Audiovisual; a revitalização da Cinemateca Brasil e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), com vistas ao fortalecimento da preservação e dos circuitos exibidores alternativos no país; e a elaboração de uma política ousada de internacionalização da produção, especialmente em relação à América Latina e à África lusófona, “tarefa que permanece pendente e com iniciativas desarticuladas”.

O documento divulgado foi resultado de um debate realizado durante o evento, com as presenças da coordenadora geral da Mostra de Tiradentes, Raquel Hallak, do assessor especial do MinC, Adriano de Angelis, da ex-gestora do Audiovisual da Secretaria de Cultura de Pernambuco, Carla Francine; do cineasta e ativista Ricardo Targino e com a participação do público presente.

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