Sarney deixa a política após 60 anos: confira momentos históricos

Em seu último discurso como congressista, feito em dezembro de 2014, ele disse se arrepender de ter voltado ao Congresso depois de ter deixado o Palácio do Planalto

iG Minas Gerais | Agência Brasil |

Em vídeo, Sarney, aliado de Dilma, aparenta votar em Aécio no 2º turno
Em vídeo, Sarney, aliado de Dilma, aparenta votar em Aécio no 2º turno

Aos 83 anos, o senador José Sarney (PMDB - AP) deixa a vida política após 60 anos de atuação. Neste sábado (31), o ex-presidente entrega seu cargo no Senado e, não tendo concorrido nas últimas eleições, encerra ao menos momentaneamente sua atuação. Em seu último discurso como congressista, feito em dezembro de 2014, ele disse se arrepender de ter voltado ao Congresso depois de ter deixado o Palácio do Planalto.

Confira momentos que marcaram a vida pública de Sarney, o político que permaneceu mais tempo no exercício de cargos públicos no país:

1. Três mandatos entre idas e vindas da oposição

Eleito terceiro suplente de deputado federal do Maranhão pelo PSD, Sarney assume a vaga de seu primeiro cargo público em 1955, aos 25 anos. Muda para a UDN, que faz oposição ao presidente Juscelino Kubitschek (PSD). Em 1959 é eleito novamente deputado pela oposição, ajuda a eleger e se torna vice-líder do governo Jânio Quadros. Com a renúncia de Jânio volta para a oposição. É novamente eleito deputado em 1963 e permanece na oposição até o Golpe Militar de 1964.

2. Governador do Maranhão durante a Ditadura

Poucos dias após o Golpe, ainda em abril de 1964, Sarney faz um discurso em defesa da democracia. No ano seguinte, nas últimas eleições diretas para governador, lança candidatura pelo Maranhão, apoiado pelo líder golpista e primeiro presidente militar, Humberto de Alencar Castello Branco. É eleito aos 35 anos. Com o início bipartidarismo opta pela Arena, partido de apoio à Ditadura.

3. Imortal

Em novembro de 1978, Sarney volta ao Senado como deputado pela Arena. Dois anos depois ele receberia sua honraria mais inusitada: uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Em novembro de 1980 sua esposa Marly e a mãe Kyola foram à posse de Sarney para suceder ao escritor José Américo de Almeida na Cadeira 38, que tem como patrono o poeta Tobias Barreto.

4. De volta para a oposição

Com o fim do bipartidarismo Sarney passa a presidir o recém-criado PDS, que na prática era a continuidade da Arena sob nova sigla. No final da ditadura, deixa a base governista para ser candidato a vice na chapa de oposição de Tancredo Neves.

5. Chegada ao Planalto

Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo é eleito presidente do Brasil pelo voto indireto, mas adoeceu gravemente na véspera da posse. Com a morte inesperada de Tancredo, o vice Sarney assume a Presidência da República.

6. Plano Cruzado

No primeiro ano do governo Sarney a inflação chega a 255,16%. Em uma tentativa de conter o aumento dos preços, lança em março de 1986 o Plano Cruzado, uma reforma monetária que corta três zeros do cruzeiro e institui uma nova moeda, o cruzado.

7. Constituinte e distribução de TVs e rádios

Uma das marcas do governo Sarney é a promulgação da Constituição Federal em 1988. Durante a transição democrática, de 15 de março de 1985 a 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição, Sarney outorgou 1.028 concessões de rádio e televisão.

8. Senador pelo Amapá

Nascido no Maranhão, em 1990 Sarney decidiu concorrer a um cargo político pelo Amapá. Transferiu o título de eleitor para Macapá, capital do estado, e foi eleito senador. Pelo mesmo estado foi reeleito mais duas vezes, em 1998 e 2006.

9. Presidente do Senado

Eleito presidente do Senado em 2003, Sarney foi fundamental para a governabilidade em uma época em que não havia o acordo formal entre PT e PMDB. Teve importante papel para a aprovação das reformas tributária e da Previdência no Congresso.

10. Sarney vota em Aécio

Na campanha presidencial de 2014, Sarney declarou apoio à Dilma Rousseff, mas foi flagrado pela câmera de uma emissora de TV votando no candidato do PSDB, Aécio Neves, no segundo turno. Depois de negar, Sarney voltou atrás e admitiu ter votado no candidato mineiro, com a justificativa de que seria uma homenagem a seu avô, Tancredo Neves.

11. Eleição de Flávio Dino coloca fim à hegemonia da família Sarney no Maranhão

A eleição de Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão colocou fim a cinco décadas de hegemonia do grupo político ligado a Sarney no Maranhão, interrompida apenas entre 2007 e 2009 quando Jackson Lago, do PDT, foi governador.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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