Agruras sem fim

iG Minas Gerais |

É comum dizer que janeiro é um mês de agruras para as finanças e para os negócios. Período em que as coisas não caminham ou caminham muito devagar. Algo até normal para os prevenidos, que reforçam seus caixas em dezembro para aguentar o baque do início do ano. Porém, a sensação atual é bem diferente. Contraria a previsível inércia que se abate no primeiro duodécimo de cada ano. Desta vez, tudo caminha rápido demais, porém a passos de curupira, tendo como destino inexorável um buraco de grandes proporções e rupturas. O que sobrará ou se revitalizará a partir desse ponto a ser alcançado é imprevisível. É a crise mostrando todas as suas garras, sugerindo que pelo pior ainda não passamos. As ondas de demissão que começam a ser sentidas certamente irão trazer mais transtorno e angústia do que as torneiras vazias deste verão de sol escaldante. Isso, de certa forma, já era previsível, mas muitas cigarras ainda estão cantando, enquanto as formigas já se recolheram a seus esconderijos por outros motivos. Dilma, durante as eleições, exerceu com maestria a cartilha maquiavélica. Trabalhou com o sentido de autopreservação de uma parcela da população recém-ascendida, abusou da credulidade das massas com o discurso contra os bancos e se aproveitou da instabilidade plantada nas classes menos abastadas de que o PSDB no poder significaria o fim de todas as conquistas sociais. Nada leva a crer que, sendo Aécio o presidente, a situação seria diferente. Porém, após eleita, Dilma e seu staff não vêm seguindo outros ensinamentos igualmente vitais do pensador geralmente mal interpretado. Defender o bem-estar do Estado a qualquer custo, mesmo o da moralidade, pode ser condição elementar para qualquer líder. Porém, o que se vê hoje não é a defesa do Estado, mas a proteção cada vez mais nociva a um grupo que tomou de assalto a maior empresa do país e que, por meio de empreiteiros gananciosos, leva toda a cadeia produtiva à ruína. Um governante que tenha o mínimo de juízo não pode mesmo manter por toda a sua vida a palavra empenhada, já ensinava Maquiavel, porém mudar todo um discurso feito há menos de três meses para proteger interesses escusos não garante a legitimidade necessária à liderança máxima da nação. Desse mal padece a presidente, emitindo sinais ruins para a população. Ela se mantém na defensiva, aparentemente isolada e sendo sustentada por dois pilares sem muita argamassa: Graça Foster e Joaquim Levy. A primeira lhe serve como boi de piranha; talvez por isso Dilma ainda não tenha pedido ou aceitado a sua demissão. Já o segundo assemelha-se ao corvo, necrófago portador de especial inteligência e de maus presságios.

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