Propina passou por seis países

Youssef abriu empresas no Reino Unido, no Panamá, em Singapura, na Suíça, na China, e nos EUA

iG Minas Gerais |

Esquema. Segundo documentos apreendidos pela PF, Youssef abria offshores para movimentar dinheiro
JOEDSON ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO - 18.10.2005
Esquema. Segundo documentos apreendidos pela PF, Youssef abria offshores para movimentar dinheiro

Brasília. O esquema do doleiro Alberto Youssef abriu empresas de fachada e contas em pelo menos seis países para movimentar recursos provenientes de desvios em obras da Petrobras. O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional informou à Justiça Federal de Curitiba que já estão em andamento os acordos com pelo menos cinco deles – Reino Unido, Panamá, China, Singapura e Suíça. A troca de informações com os Estados Unidos já vinha sendo feita pelo Ministério Público Federal.

No Reino Unido, estavam pelo menos três offshores utilizadas por Youssef para receber dinheiro de propina – Santa Clara Private Equity, Aquila Worldwide e Thingrass Services. As principais contas dessas empresas foram abertas na Suíça, no PKB Private Bank, em Lugano. Em Hong Kong, há contas a serem investigadas no HSBC, no Standard Chartered Bank e no Hang Seng Bank. Também funcionavam lá as empresas DGX e RFY. Em Singapura, funcionavam outras duas empresas usadas no esquema, a Savoy Trading e a Onix.

Entre junho de 2011 e março de 2014, foram enviados para Hong Kong, por exemplo, US$ 78,2 milhões em mais de mil operações de câmbio. Pelas contas e empresas no Reino Unido e na Suíça passaram cerca de US$ 9 milhões no período, e as empresas utilizaram contratos de mútuo – empréstimos entre empresas – para justificar parte das remessas. Nos Estados Unidos, o banco usado foi o Merrill Lynch.

As contas e os documentos de empresas usados pelo esquema do doleiro foram localizados na mesa e em computadores de João Procópio de Almeida Prado, que assumiu o controle da movimentação no exterior a partir de 2010, quando Rafael Angulo, outro funcionário do doleiro, foi flagrado pela operação Curação, da Polícia Federal, e condenado pela Justiça Federal a nove anos e um mês de prisão.

Bloqueio. O Credit Suisse, banco suíço de investimento, informou ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato, que bloqueou as contas dos executivos Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, e de João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa. Os dois são acusados de fazer parte do cartel de empreiteiras alvo da Lava Jato.

Esse é mais um bloqueio comunicado por instituição financeira à Justiça Federal. Até a última quinta-feira, 29, a malha fina do Banco Central já havia localizado e bloqueado R$ 200 milhões.

Segundo o Credit Suisse, Almada tem duas contas de investimento, uma com R$ 1.025.439,64, e outra sem saldo. Auler possui duas contas sem saldo e outras com R$ 6.310,34 e R$ 352,42. A instituição solicitou ao juiz os dados bancários da conta judicial para a transferência dos valores.

Toyo Setal

Delação. O Credit Suisse havia sido citado na delação do executivo Julio Almeida Camargo, da Toyo Setal. Ele apontou contas na Suíça, em Nova York e no Uruguai com recursos de caixa 2.

Careca alega que era “só o segurança” Brasília. O policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como “Careca” – e que transportava dinheiro para Alberto Youssef –, afirmou que seu trabalho se resumia a fazer a “segurança pessoal” do doleiro. A informação consta da defesa de Careca apresentada à Justiça Federal de Curitiba nesta sexta. A defesa argumenta que o policial pode, “eventualmente, ter entregue algum valor a mando de Youssef, assim como fez com vinhos ou outros documentos. Porém em todas as oportunidades tratava-se de envelopes lacrados”.

Explicação Testemunhas. O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, deu cinco dias para a defesa do executivo Ricardo Pessôa, da UTC, esclarecer os motivos de ter incluído como suas testemunhas de defesa diversos agentes políticos, incluindo o ministro da Defesa, Jaques Wagner. Citados. Foram arrolados, além de Wagner, o tesoureiro da campanha de Lula em 2006, José de Filippi Júnior; o candidato à presidência da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP); o ex-ministro Paulo Bernardo, os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) e Jutahy Júnior (PSDB-BA); e o ex-deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Disponível. Nesta sexta, Wagner afirmou que está disposto a prestar depoimento.

Voto político O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli acusou o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Jorge de fazer um “voto político” e uma “leitura enviesada”, com “malabarismos”, ao defender que a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, causou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal.

Informações A Comissão de Ética Pública da Presidência pediu mais informações aos ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Renato Duque sobre a conduta deles à frente da empresa. Outros pedidos já haviam sido enviados a eles em 2014. Segundo o colegiado, no entanto, as informações repassadas por eles foram “incompletas”.

Lista quente Anotações apreendidas na casa do presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, listam advogados e dirigentes de órgãos de controle com influência em processos relacionados à Lava Jato, dentre eles o ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça Cesar Asfor Rocha. Para a PF, a empreiteira traçava um plano para fazer lobby e anular investigações.

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