Aventura máxima

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“Aqui, vivemos uma onda de que tudo precisa de personagem, de holofote. O que vale é o ingrediente, a tradição.”
Gustavo Lovalho/divulgação
“Aqui, vivemos uma onda de que tudo precisa de personagem, de holofote. O que vale é o ingrediente, a tradição.”

Em 1998, o veneziano Massimo Battaglini estava em uma “viagem de aventura”, como ele conta. No Peru, ligou para amigos italianos que moravam no Brasil, país que nem constava de seu roteiro. Acabou ficando meses por aqui. Só voltou à Itália para “preparar os pais psicologicamente” e refazer as malas. Desde então vivendo em BH, abriu restaurantes e nos fisgou pelo estômago.

Massimo, quando conheceu o Brasil, já trabalhava como chef? Gostava de cozinha, me mantinha trabalhando na hotelaria, como garçom ou na cozinha, em temporadas na praia. Foi um jeito de me sustentar nessas viagens. Qual foi seu primeiro trabalho aqui? Três meses depois (de ter retornado à Itália), já estava em BH. Com Giulio Mattiazzi e João Barile, abri o restaurante Osteria Mattiazzi, em janeiro de 1999. Tive o Bella Vita, e hoje (além do Osteria) a Salumeria Central, o Pecatore e o Manganelli (no hotel InterCity, na Raja Gabaglia). E o Club do Chef? Comecei com outros chefs há uns oito anos, ocupando a cozinha do Domus XX. Agora somos eu e o chef Raffaele Autorino, parceiros exclusivos do BHZ Espaço de Eventos. Fazemos serviço de bufê personalizado (como se os convidados estivessem no restaurante) e personal chef (na casa do cliente). Nosso forte são casamentos, festas de 15 anos, festas maiores. Fazemos toda semana. Muitos têm criticado a onda gourmet – há até o Tumblr “Gourmetização da Vida”. Pratos simples e amados são intocáveis ou podem ser aprimorados com um toque gourmet? Não gosto muito dessa coisa que fica chata. Comida é comida. Adoro os ingredientes mais que os pratos, os chefs. Aqui, vivemos uma onda de que tudo precisa de personagem, de holofote. O que vale é o ingrediente, a tradição. Amo coisas e comidas tradicionais. Tem coisa que pode ser aprimorada? Claro! Mas quando você tem fome de algo específico, geralmente é de um prato tradicional, não de criações. Tenho saudade de “carbonara”, não de “espuma”. Em casa, o que gosta de cozinhar? Tem um prato preferido? Normalmente, vegetais e peixe cru. Quem mexe com comida acho que fica um pouco antitempero. O que você adora no Brasil, especialmente em Minas? O povo. A motivação de me mudar foi essa. Acho que o restante é decoração. Tem o clima, mas o ambiente é feito de gente, como em todo lugar. Você não se muda pela arquitetura local. Até porque, se comparar Veneza com BH (risos)... E do que mais sente falta da Itália? Da matéria-prima maravilhosa, da primavera, ou melhor, da chegada da primavera. Aqui, temos duas estações, seca e molhada. Hoje em dia, seca e seca. Então, sinto falta da saída do inverno e da chegada da nova luz, das pessoas nas ruas... Gosto demais dessa sensação que não vivo há muitos anos. 2015 é ano de... Concretizar. Tive muitas novidades nos últimos anos. Estou num momento de arrumar, botar tudo nos trinques. Pretendo viajar mais do que no ano passado. Este ano já fui a uma feira em Rimini e quero levar um grupo à Itália, em viagem gastronômica ao Piemonte e Franciacorta, onde fazem os melhores espumantes italianos.

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