Filmes chegam a 32 cidades do interior de Minas

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Programação do Cine Sesi Cultural acontece até o mês de junho
cine sesi cultural/divulgação
Programação do Cine Sesi Cultural acontece até o mês de junho

Conhecido por já ter circulado em mais de 600 cidades de 12 Estados brasileiros, o Cine Sesi Cultural chega a Minas Gerais, onde vai visitar 32 municípios, a exemplo de Montalvânia, Matias Cardoso, Lajinha e Aimorés, dentre outras. As sessões, que acontecem ao ar livre nesses locais, vão se estender até junho, levando, assim, longas e curtas-metragens, principalmente, produzidos por realizadores brasileiros, às comunidades que têm pouco acesso ao conteúdo cinematográfico.

“Todos esses destinos têm um perfil de pouco acesso à cultura cinematográfica. Nesse sentido, o Cine Sesi Cultural visa contribuir para uma mudança”, observa Lena Rosa Vieira, idealizadora do projeto, que também abarca oficinas de stop motion.

Como vem acontecendo desde o ano passado, as projeções em 35mm foram substituídas por exibições em tecnologia digital. Para Rosa, essa é uma maneira de garantir a qualidade das sessões. “Nós percebemos que não há como desconsiderar a evolução tecnológica que estamos vivendo no momento. Há mais facilidade para lidar com esse formato, que traz algumas vantagens, como a possibilidade de haver menos ruídos nas imagens em exibição”, observa ela.

Entre os longas-metragens, figuram as obras “Cine Holliúdy” (Ceará), “O Menino e o Mundo (São Paulo), “A Busca” (Rio de Janeiro) e “A Era do Gelo 4”, único internacional que integra a programação. De acordo com Vieira, a escolha segue alguns critérios, como a ideia de estimular reflexões e não apenas proporcionar o entretenimento.

“É o caso de ‘Cine Holliúdy’. Esse filme trata da situação do fechamento das salas de projeção nas cidades do interior. Ao mesmo tempo que é uma produção muito divertida, ela provoca uma discussão interessante. Outro que merece atenção também é ‘A Busca’. Esse é um trabalho um pouco mais difícil, exige uma concentração maior. Nós consideramos isso relevante porque cinema não é apenas diversão. ‘A Busca’ tem uma história muito bonita, apresenta uma aventura, inclusive existencial”, detalha.

Ela acrescenta que a intenção é conseguir abarcar diferentes tipos de público, com criações capazes de atrair um grande número de pessoas. “Há o momento de entretenimento para toda a família, por exemplo, com as sessões de cinema de animação. Algo que é muito bacana e permeia esses filmes é a diversidade de sotaques que aparecem nas histórias porque elas espelham os diferentes cenários que existem no país. Isso é outra questão interessante, porque, assim, as pessoas podem ter contato com uma diversidade cultural”, afirma Vieira.

Entre as contribuições que a iniciativa deixa por onde passa, ela ressalta também a maneira como há um reencontro dos habitantes com os espaços públicos.

“Há uma estratégia de ocupação, que é muito interessante. As pessoas têm a oportunidade de estabelecer um reencontro com alguns lugares de sua própria cidade por meio da arte, revisitando as suas pracinhas. É bacana que todos se reúnem coletivamente para ter uma experiência de cinema. Isso não significa apenas ver um filme, mas mergulhar numa situação que pode inspirar diversas outras conversas”, observa.

Para ela, a mobilização do público é outro objetivo constante. “Nós achamos que esse trabalho também pretende incentivar a sociedade de cada um desses lugares a se organizar em defesa das suas salas de projeção. Nós percebemos, no grande volume de pessoas participantes das sessões, um interesse muito forte que pode fortalecer esse compromisso”, conclui.

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