Chefe de gabinete de Cristina critica 'intromissão' de EUA

Declaração foi uma reação a um pedido do senador republicano da Flórida, Marco Rubio, para que secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pressionasse por uma investigação independente, com apoio internacional

iG Minas Gerais | Folhapress |

Chefe de gabinete de Cristina critica 'intromissão' de EUA
Natacha Pisarenko/AP photo - 2.12.2008
Chefe de gabinete de Cristina critica 'intromissão' de EUA

O governo argentino não quer a intromissão dos EUA no caso da morte do promotor Alberto Nisman, afirmou o chefe de gabinete de Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, nesta sexta-feira (30).

A declaração foi uma reação a um pedido do senador republicano da Flórida, Marco Rubio, para que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pressionasse por uma investigação independente, com apoio internacional.

Rubio enviou uma carta a Kerry na qual se dizia "profundamente preocupado com a inabilidade do governo da Argentina de conduzir uma investigação justa e imparcial".

Capitanich reagiu dizendo que a iniciativa de Rubio é imperialista. "Não aceitamos intromissão de nenhum país", afirmou. Ele também disse que o senador dos EUA desconhece as regras das Nações Unidas e o princípio de autodeterminação dos povos.

Em um ato na Casa Rosada com aliados e militantes, Cristina Kirchner também disse que pode falar o que quiser sobre o caso, pois tem liberdade de expressão.

Trata-se de uma resposta a um dirigente de uma associação de juízes, que afirmou que as hipóteses que a presidente apresenta sobre a morte podem interferir na investigação. "Desde o presidente da Suprema Corte até o último dos juízes e promotores podem falar. Como eu, que sou a presidente, não posso? Ninguém de outro poder pode dizer para a presidente calar a boca."

Ela também fez uma referência a Diego Lagomarsino, o técnico de informática que emprestou a arma usada na morte de Nisman. Apesar de não citá-lo, Cristina fez referência a um tuíte publicado por ele em 2013, no qual xingou violentamente a presidente.

Em uma última referência ao caso do promotor morto, pediu para que "não tragam conflitos" de outros países para a Argentina.

Nisman era o encarregado de esclarecer o atentado à sede da Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), que deixou 85 mortos em 1994. O promotor defendia que os culpados eram iranianos. Ele denunciou Cristina de fazer um acordo com o Irã para garantir a impunidade dos terroristas em troca de uma aproximação comercial.

O ato aconteceu em uma Casa Rosada lotada de militantes. Partidários do governo encheram dois pátios do prédio e também ocuparam uma parte do salão onde Cristina fez sua conferência.

Uma das pessoas era a aposentada Célia Gonzales, 62, que havia ido ao ato com vizinhas da Villa 21, uma favela de Buenos Aires.

"Vão usar o caso de Nisman contra Cristina, mas ao povo isso não interessa. Nós sabemos que os grandes meios estão fazendo um atentado contra a democracia", afirmou.

A militante Laura Consentino, 31, do grupo Kolina, afirmou que os apoiadores apareceram em grande quantidade porque "o nível de agressão que estão dirigindo à Cristina é altíssimo. Todos que a seguem vão fazer o que puder para apoiá-la".

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