União Africana pede ação coletiva contra a ameaça do Boko Haram

Nigéria, Camarões, Níger, Chade e Benin concordaram no fim de 2014 com a criação de uma força de 3.000 homens

iG Minas Gerais | AFP |

Grupo terrorista Boko Haram causou tensões na Nigéria e Camarões
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Grupo terrorista Boko Haram causou tensões na Nigéria e Camarões

Os islamitas radicais nigerianos do Boko Haran viraram uma ameaça para a segurança de todo o continente africano e exigem uma resposta coletiva e decisiva, afirmou nesta sexta-feira a presidente da Comissão da União Africana (UA), Nkosazana Dlamini-Zuma.

"O terrorismo, em particular a brutalidade do Boko Haram contra nossas populações, representa uma ameaça para nossa segurança coletiva e nosso desenvolvimento", declarou Dlamini-Zuma na abertura da reunião de cúpula da organização.

"Já se propagaram além da Nigéria e isto requer uma resposta coletiva, eficaz e decisiva", completou.

"Estamos consternados com a brutalidade do Boko Haram", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que também discursou na reunião.

O grupo extremista deixou mais de 13.000 mortos desde o surgimento em 2009.

Na quinta-feira, o Conselho de Paz e de Segurança da UA pediu uma força regional de 7.500 homens para lutar contra o grupo extremista, cujo avanço na Nigéria, onde conquistou vastos territórios na região nordeste,  e incursões em Camarões inquietam outros países vizinhos, como Chade e Níger.

Nigéria, Camarões, Níger, Chade e Benin concordaram no fim de 2014 com a criação de uma força de 3.000 homens, que ainda não está operacional por culpa das divergências entre Abuja e os vizinhos.

Dlamini-Zuma também recordou outros conflitos que afetam o continente: Somália, Mali, Líbia, Sudão do Sul e República Democrática do Congo, onde o exército iniciou na quinta-feira uma ofensiva contra rebeldes ruandeses que estão há 20 anos no leste do país.

Ao falar sobre outro tema espinhoso, Ban Ki-Moon pediu nesta sexta-feira em Adis Abeba que os líderes africanos não se agarrem ao poder e deixem o cargo ao fim de seus mandatos.

"As mudanças na Constituição não democráticas e os vazios jurídicos não devem ser utilizados para se agarrar ao poder", disse, três meses depois da queda do presidente de Burkina Faso, Blaise Campaoré, expulso por protestos populares depois de passar 27 anos no poder. Ele desejava modificar a Constituição para continuar governando.

"Os líderes modernos não podem se permitir ignorar os desejos e aspirações daqueles que representam", acrescentou Ban.

Neste sentido, a eleição nesta sexta-feira do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, de 91 anos, para a presidência da UA representa um sinal ruim.

Mugabe, que governa o Zimbábue desde a independência em 1980, foi acusado diversas vezes de permanecer no poder por meio da intimidação, violência contra os opositores e eleições manipuladas.

Várias eleições presidenciais e legislativas estão previstas na África em 2015. Os dirigentes reunidos na Etiópia desejam evitar as violências eleitorais temidas no Egito, Burundi e na República Centro-Africana.

Em seu discurso de candidatura, Mugabe, conhecido por suas críticas contra o Ocidente e os "imperialistas", lembrou nesta sexta-feira da necessidade de proteger os recursos naturais da África.

"Os recursos africanos deveriam pertencer a África, e a ninguém mais além daqueles que convidarmos como amigos", afirmou. "Devemos ter amigos, mas não mais imperialistas ou colonizadores".

Também querem abordar a recuperação econômica dos países afetados pelo vírus do Ebola. A epidemia, que provocou quase 9.000 mortos em um ano, sobretudo na Libéria, Guiné e Serra Leoa, foi contida, mas ainda não foi erradicada. 

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