Reino Unido recorda a morte de Churchill, o homem que desafiou Hitler

Ele levou a Grã-Bretanha à vitória na Segunda Guerra Mundial, e usou as palavras certas para unir um povo preocupado com os avanço das tropas do Terceiro Reich na Europa

iG Minas Gerais | AFP |

AP/Arquivo
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Os britânicos celebram solenemente nesta sexta-feira o cinquentenário da morte de Winston Churchill, o "Velho Leão" que desafiou Hitler e cuja coragem, audácia e combatividade ainda são citadas como exemplos no Reino Unido e em todo mundo.

Churchill faleceu em 24 de janeiro de 1965, em Londres, aos 90 anos e "nesse dia, foi o Império Britânico que morreu com ele", escreveu recentemente o jornal Daily Telegraph, sinal da marca gigante que o ex-primeiro-ministro e líder da guerra deixou para seus compatriotas.

Seu funeral de Estado ocorreu em 30 de janeiro de 1965, na presença da rainha Elizabeth II.

Transmitido ao vivo pela televisão, o funeral foi visto por 350 milhões de pessoas em todo o mundo.

Para o quinquagésimo aniversário de sua morte, homenagens foram organizadas durante todo o ano no Reino Unido, culminando nesta sexta-feira com uma procissão no Tâmisa.

Como em 1965, quando os restos mortais de Churchill navegaram no Havengore, uma barcaça de 26 metros.

"O Havengore levou-o para uma última viagem fantástica depois de um cerimônia religiosa na Catedral St. Paul", conta à AFP seu neto, Randolph Churchill. "Essa memória ficará para sempre gravada na memória coletiva".

A passagem da embarcação foi saudada pelo som dos canhões do navio de guerra HMS Belfast, transformado em museu, enquanto que uma cerimônia foi realizada em frente ao Palácio de Westminster, a residência do Parlamento, no coração de Londres.

O primeiro-ministro David Cameron depositou uma coroa de flores na estátua de seu antecessor na Câmara dos Comuns e prestou homenagem a "um grande líder e um grande britânico".

"Sabia que o Reino Unido não era simplesmente um lugar no mapa, mas uma força no mundo, destinado a moldar acontecimentos e lutar pela liberdade", declarou.

"Por isso em 1940, depois da França cair, antes de os Estados e a Rússia entrarem na guerra, declarou: 'Hitler sabe que terá que nos dobrar se não perderá a guerra. Se resistirmos, toda a Europa será livre", recordou Cameron.

Suntuosas e solenes, estas comemorações são o reflexo do legado deste homem conhecido por seu caráter impetuoso, seus charutos e seu chapéu-coco.

"Meio século após sua morte, Winston Churchill continua a inspirar o país, que preserva a liberdade, mas também o mundo inteiro", declarou o chefe de governo britânico, David Cameron, reconhecendo que "Churchill foi o melhor dos primeiros-ministros".

No entanto, Churchill nunca foi considerado como um herói nacional: "Sejamos honestos, Churchill era, muitas vezes, catastrófico", ressalta o The Times em um artigo publicado esta semana.

Sua derrota mais ressentida continua a ser, provavelmente, a desastrosa expedição de Dardanelles (fevereiro de 1915-janeiro de 1916) que terminou com uma derrota e 180.000 mortos do lado aliado.

'Não nos renderemos jamais'

Mas Churchill não perdeu seu encontro com a História: primeiro-ministro de 1940 a 1945, ele levou a Grã-Bretanha à vitória na Segunda Guerra Mundial, e usou as palavras certas para unir um povo preocupado com os avanço das tropas do Terceiro Reich na Europa.

"Nós lutaremos nas praias. Nós lutaremos nos terrenos do desembarque. Nós lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas montanhas. Não nos renderemos jamais", diz ele, em junho de 1940.

"Ele conseguiu mudar o curso da história ao provar sua liderança num momento em que o país estava perdendo a fé", afirma Randolph Churchill.

Este homem de palavras e ação também foi um escritor, Prêmio Nobel de Literatura em 1953, e também um talentoso pintor, uma arte em que, como na política, defendia a ousadia.

Objeto de um verdadeiro culto desde a sua morte, Churchill, para muitos britânicos, é muito mais do que uma figura histórica, explica Richard Toye, professor da Universidade de Exeter, autor de vários livros sobre o "Velho Leão".

"As pessoas continuam a ter uma conexão emocional com ele", diz o acadêmico.

A paixão Churchill há muito ultrapassou as fronteiras britânicas e serão inúmeras as homenagens em todo o mundo.

Recentemente, na França, os alunos da Ecole Nationale d'Administration (ENA) batizou sua classe 2014-2015 "Winston Churchill".

Nos Estados Unidos, o Congresso inaugurou em 2013 um busto de bronze do "melhor amigo" da América, herói nacional e, no entanto, tão "british".

"Se o britânico - sua excentricidade, sua grande generosidade, sua força de caráter - fosse encarnado por uma pessoa, seria por Winston Churchill", dizia Mo Mowlam, uma ex-ministra de sua Majestade.

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