Cidades que cancelaram Carnaval permitem manifestações populares

Prefeituras da região Centro-Oeste de Minas e Itaguara vão economizar cerca de R$ 1 milhão por não promover a folia

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

As prefeituras de Cláudio, de Carmo da Mata e de Passa Tempo, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, e de Itaguara, na região Central do Estado, que cancelaram o Carnaval neste ano, anunciaram nesta sexta-feira (30) que permitirão que blocos ocupem as ruas das cidades durante os dias de folia. Apenas a administração de Cláudio vai proibir a manifestação popular, já que possui 15 blocos tradicionais, que arrastam cerca de mil foliões cada, segundo o prefeito José Rodrigues Barros de Araújo. Em São Francisco de Paula, conforme o prefeito Altair Junior da Silva, não há blocos.

Os municípios irão criar regulamentações para que as manifestações ocorram dentro da ordem, respeitando horários e com restrição de barulho, e não darão suporte.

Em coletiva de imprensa, os prefeitos reafirmaram a necessidade do cancelamento da festa, destacando três motivos: crise hídrica, falta de segurança pública - devido ao baixo efetivo - e questões financeiras. Juntas, as cidades economizarão cerca de R$ 1 milhão, que deverá ser investido em obras, segundo o prefeito de Itaguara, Alisson Diego Batista Moraes. Cada município, de acordo com ele, investiria em média R$ 130 mil no Carnaval e Cláudio aproximadamente R$ 250 mil.

Moraes propôs que as prefeituras promovam ações de conscientização do uso da água, aproveitando o cancelamento do Carnaval. A ideia é fazer com que a população compreenda a necessidade da economia e o benefício de não se realizar a folia. 

Ainda, segundo Moraes, a previsão era de que em 2014 a região recebesse 1.500 milímetros cúbicos de água, mas só choveu 900 milímetros cúbicos, o que deixa claro que a deficiência do recurso existe há algum tempo. Além disso, planeja-se incentivar políticas de cercamento de nascentes d'água.

Mesmo sem Carnaval, vai haver reforço policial nas cidades. O que vai deixar de acontecer é o investimento das prefeituras na contratação de segurança particular. A primeira cidade a cancelar a folia foi Cláudio, que tomou a decisão ainda no ano passado. Todas as outras tentaram organizar a festa reduzindo o custo, mas, devido ao efeito cascata, preferiram abrir mão, com receio de que as pessoas migrassem, devido a proximidade entre os municípios, e não fossem capazes de atender a demanda, com a estrutura que possuem.

A coletiva de imprensa, que reuniu representantes das seis prefeituras, aconteceu nesta manhã, em Cláudio.

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