Campeão, Ituano agora sonha em escapar do rebaixamento no Paulista

Pretensão parece modesta para uma equipe que surpreendeu os grandes do Estado em 2014

iG Minas Gerais | Folhapress |

Em 2014, o Ituano faturou o título de Campeão Paulista
Divulgação/ Ituano
Em 2014, o Ituano faturou o título de Campeão Paulista

Atual campeão, o Ituano inicia o Campeonato Paulista neste domingo (1º) com o mesmo objetivo das seis temporadas anteriores: escapar do rebaixamento.

A pretensão parece modesta para uma equipe que surpreendeu os grandes do Estado em 2014 --derrotou o trio São Paulo, Palmeiras e Santos-- e sagrou-se campeã no Pacaembu, nos pênaltis. Porém, essa é a realidade do clube que inicia a temporada apenas com três torneios para disputar a princípio. Além do Estadual, jogará a Copa do Brasil e a Copa Paulista (torneios eliminatórios).

"Temos os pés nos chão. A realidade do Ituano não é brigar pelo título. Temos de lutar para se manter na primeira divisão. A partir daí a gente pensa em conseguir uma vaga na Série D do Brasileiro, para ter calendário mais completo ao longo da temporada. O que vier além disso está excelente", diz Tarcísio Pugliese, treinador da equipe e que vai estrear no Paulista.

De 2009 a 2013, o Ituano quase sempre escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. Em 2014, apesar de iniciar o torneio com essa preocupação, conseguiu passar da primeira fase e ir à final.

"Nós pensamos passo a passo. Primeiro escapar do rebaixamento, depois buscar uma vaga na Série D. Ano passado a equipe era simples e humilde, como é hoje, e deu liga. Os objetivos foram superados e passamos a buscar algo maior. Temos esperança de fazer um bom papel de novo, mas seria mentira dizer que não pensamos primeiro em fugir do rebaixamento", simplifica o volante Josa, capitão no título de 2014.

TIME ATUAL

O elenco formado pelo Ituano neste ano tem características parecidas com a equipe vencedora. Mescla jogadores experientes --tem cinco com 30 ou mais anos-- com jovens - são três abaixo de 20.

Doze campeões de 2014 continuam no grupo, embora somente quatro deles foram titulares na campanha do título.

Os volantes Josa, 30, e Jackson Caucaia, 28, e o lateral direito Dick, 30, saíram após o Estadual e retornaram no fim do ano. Já o meia Cristian, 35, foi o único que permaneceu a temporada toda. O elenco do Ituano ainda conta com quatro remanescentes da disputa da Série D do Brasileiro de 2014 e outros 12 reforços -mesmo número de contratações realizadas no início da última temporada.

A folha salarial é de pouco mais de R$ 300 mil mensais. "Não dá para comparar a equipe campeã com a atual. Primeiro porque eu não estava no dia a dia. Segundo porque o que aconteceu dificilmente será repetido por um time do interior. A diferença de estrutura, de condição financeira é muito grande. O Ituano foi um ponto fora da curva em 2014", diz Pugliese.

GESTÃO SEGURA

O Paulista deste ano será o sexto do clube desde que Juninho assumiu como gestor, em junho de 2009. Um dos orgulhos do ex-jogador é o fato de o Ituano não ter atrasos salariais há cinco anos nem ter receitas de TV adiantadas.

As finanças são mantidas de forma estável graças ao patrocínio da Schincariol - valor não divulgado - e outras três marcas no uniforme.

A diretoria também tem uma política salarial "pés no chão". Contrata jogadores com salários baixos, mas a vantagem de receber em dia. Atletas que pedem altos salários são logo descartados.

A reportagem apurou que o lateral Denner e o zagueiro Alemão, que saíram após o título Estadual, chegaram a ter a volta cogitada. Mas foram descartados em razão dos altos salários desejados por eles.

Mas a política atual não permite o Ituano formar times fortes para buscar títulos. Exceção a 2014, a realidade tem sido fugir do rebaixamento.

O clube admite que alcançar a terceira divisão nacional já permitiria um avanço. Assim, passaria a ter um calendário fixo e poderia, por exemplo, colocar em prática um plano de sócio-torcedor. A meta do Ituano, contudo, é alcançar ao menos Série B do Nacional para assim iniciar o Paulista tentando competir em pé de igualdade com as forças do Estado.

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