Um português que quer ajudar a mudar Contagem

Com 25 anos de carreira, doutor Francisco Melro afirma que a saúde no município está caótica e diz ter estratégias eficazes de melhorias para apresentar ao prefeito

iG Minas Gerais |

Francisco Melro. 

Médico está há cinco anos no Brasil e já passou por diversos países participando de projetos, contribuindo com seu conhecimento
Lincon Zarbietti / O Tempo
Francisco Melro. Médico está há cinco anos no Brasil e já passou por diversos países participando de projetos, contribuindo com seu conhecimento

Um aventureiro apaixonado pela profissão e por ajudar as pessoas. O médico Francisco Paulo Melro, português de nascimento, adotou o Brasil há cinco anos na busca de usar seu conhecimento para contribuir com o país.

Natural de Coimbra, em Portugal, Doutor Francisco Melro é médico fisiatra, reumatologista e clínico da dor, com mais de 25 anos de carreira. Em seu trabalho ao longo de duas décadas e meia, ele se firmou como grande cientista e pesquisador, o que o levou a conhecer várias partes do mundo. “Já estive em vários países, atuei em projetos na África e na Ásia e também conheço praticamente todo o Brasil, mas adotei Belo Horizonte como lar, por me identificar muito com a cidade”, conta.

Ao longo de sua carreira, Francisco Melro se consolidou como um dos principais expoentes na área da hipoterapia, que consiste num método terapêutico e educacional que utiliza os andamentos do cavalo para o desenvolvimento psicossocial dos pacientes. Já são vários livros publicados na área e diversas histórias de sucesso com a terapia, da qual ele fala com orgulho. “Cuidei de um caso de autismo severo, em que o paciente não conseguia conviver e interagir com a sociedade e se automutilava, mordendo as mãos até sangrar. A primeira vez que ele subiu no cavalo, foi também a primeira em que ele sorriu. A partir daí houve uma grande evolução, e após algum tempo de tratamento ele já interagia com as pessoas”, conta.

Com sua experiência médica e científica, de quem também foi o fundador de umas das maiores organizações de medicina terapêutica do mundo, a Associação Portuguesa de Hipoterapia, doutor Francisco Melro tem opiniões contundentes e vontade de ajudar a promover avanços, a vários setores da sociedade brasileira. “Acredito que o caminho para que haja mudanças no país é investir na educação dos jovens. Uma população que não tem formação acadêmica não sabe como reivindicar direitos. Em Portugal os jovens falam pelo menos dois idiomas. Se a forma de ver e lidar com a educação mudar, o Brasil tem todo o potencial para se tornar um dos melhores países do mundo”, diz.

Doutor Francisco também tem opiniões bem estabelecidas sobre temas ainda polêmicos no Brasil, como o uso de células tronco. “Trabalhei por 17 anos pesquisando células-tronco, e em Portugal, diferentemente do Brasil, assim que nasce uma criança, o sangue do cordão umbilical é coletado para que posteriormente possa ser usado caso alguém da família venha a sofrer alguma doença como o câncer. Por aqui, o tema ainda esbarra em grandes tabus, que não consigo entender a sustentação. Se os benefícios estão comprovados cientificamente em todo o mundo não faz sentido barrar a prática”, conta.

Sobre a questão do aborto ele é categórico em seu posicionamento: é contra no caso de sua utilização como método contraceptivo. Para doutor Melro, ele só deve ser permitido no caso em que a gestante tem risco de morte, estupros ou de doenças como a anencefalia.

A religiosidade e a medicina costumam se esbarrar em algumas questões, mas nesse ponto, Melro também é muito bem-resolvido. “Minha religião é amar a Deus sobre todas as coisas e, atualmente, estou lendo a Bíblia Sagrada pela quinta vez. É um livro fantástico”, diz.

Horas vagas

Fã de literatura, doutor Francisco tem como autor preferido Fernando Pessoa, mas no Brasil é Paulo Coelho quem ganha a admiração do médico. Além da leitura, nas poucas horas vagas que lhe restam, para descontrair seu passatempo preferido é a culinária. Preparo pratos portugueses clássicos com maestria, mas troco o bacalhau por uma picanha sem pestanejar”, diz.

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