Único hospital de Santa Luzia corre risco de fechar

Após fim de contrato, prefeitura deixou de pagar R$ 1,3 milhão mensais à unidade

iG Minas Gerais | Aline Diniz / João Paulo Costa |

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Aproximadamente 5.500 pacientes são atendidos em hospital de Santa Luzia todos os meses
CHARLES SILVA DUARTE / O TEMPO
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Os moradores de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, podem ficar sem o atendimento do único hospital da cidade a partir de 1º de fevereiro. O contrato entre a prefeitura do município e o hospital filantrópico São João de Deus não foi renovado, e a unidade precisará fazer um estudo para analisar possíveis cortes de serviços, demissões e até mesmo o encerramento das atividades.

De acordo com Fábio Augusto Ferreira, responsável legal pela instituição, o hospital ficou fechado entre julho e novembro de 2013. Para viabilizar a abertura, foi firmado um contrato com o Executivo municipal e a prefeitura passou a dedicar R$ 1,3 milhão mensais para a unidade. Após os primeiros 120 dias de parceria, a prefeitura teria começado a repassar menos recursos, o que prejudicou o investimento em aparelhos e contratação de profissionais. “Após o quarto mês do convênio, os repasses foram reduzidos e passamos a receber cerca de R$ 900 mil e, naquela altura, o hospital já tinha gastos mensais de R$ 1,1 milhão por conta dos investimentos que fizemos em aparelhamentos clínicos, contratação de pessoal e outras demandas”, explicou Ferreira. Metas. Nos quatro primeiros meses de contrato, o hospital não precisaria cumprir metas, mas, após esse período, deveria oferecer pronto-atendimento, maternidade, clínicas médica, pediátrica e cirúrgica – tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nem todos os itens foram cumpridos em função do corte de verbas, segundo a direção. Procurada nesta quinta, a Prefeitura de Santa Luzia confirmou que foi firmado um contrato com o hospital São João de Deus. Porém, o poder Executivo alega que a unidade de saúde não conseguiu cumprir o acordo, já que não houve atendimento de pediatria, obstetrícia, entre outros. Em nota, a prefeitura ainda informou não vai renovar o contrato e vai assumir novamente o serviço de atendimento de urgência e emergência da cidade. A administração municipal não explicou o motivo para o corte de verbas feito 120 dias após firmar contrato com o hospital.

Estado Auxílio. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde para saber se a pasta vai intervir na situação do hospital São João de Deus mas, até o fechamento, não obteve resposta.

Saiba mais Atendimento. O pronto-socorro do hospital São João de Deus atende uma média de 5.500 pacientes por mês. Segundo o responsável pelo hospital, Fábio Augusto Ferreira, a instituição tem uma dívida de mais de R$ 1 milhão com fornecedores. Ambulâncias. Dezenove ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) utilizadas durante a Copa seguem paradas em um pátio da Prefeitura de Santa Luzia. O caso foi denunciado por O TEMPO em outubro e ainda não foi resolvido.

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