Governo vai dobrar prazo para setor elétrico pagar empréstimos de 2014

Por necessidade de contratar energia extra -e mais cara-para atender a demanda dos consumidores, as distribuidoras tiveram de tomar R$ 17,8 bilhões em empréstimos no ano passado

iG Minas Gerais | Folhapress |

Ministro admite racionar energia se nível de reservatórios cair a 10%
Luiz Alves/Agëncia Senado 17.11.2012
Ministro admite racionar energia se nível de reservatórios cair a 10%

O ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) disse nesta quinta-feira (29) que o governo vai dobrar o prazo para pagamento dos empréstimos bilionários tomados pelo setor elétrico em 2014. A estratégia faz parte de um plano para diminuir o impacto sobre a conta de luz neste ano.

Por necessidade de contratar energia extra -e mais cara-para atender a demanda dos consumidores, as distribuidoras tiveram de tomar R$ 17,8 bilhões em empréstimos no ano passado.

O acordo, que envolveu instituições públicas e privadas, deveria ser quitado em dois anos. Esse pagamento se torna viável a partir do aumento das tarifas dos consumidores e do respectivo recolhimento dos valores devidos pelas distribuidoras.

O governo, que foi o responsável por intermediar essa negociação no ano passado, agora tomará frente para tornar possível esse aumento de prazos.

"A conta ACR [criada para viabilizar os empréstimos] deverá ser renegociada. É isso que está no planejamento. Por um prazo de 48 meses. O que alonga obviamente o pagamento, mas ao mesmo, se renegocia a taxa de juros", disse Braga. "Isso também dilui o reajuste para consumidor".

As novas condições do acordo ainda não foram divulgadas.

ECONOMIA

O ministro disse também que o plano do governo é de economizar na geração de termelétricas movidas a óleo combustível, fazendo com que essas usinas possam ser movidas a gás.

"Temos em torno de 2.500 MW de energia que são gerados por combustível muito caro, óleo diesel. Queremos fazer um estudo para substituir esse combustível por um mais barato e mais adequado do ponto de vista ambiental", disse.

"Entre eles, por exemplo, o GNL, que hoje está sobrando no mercado internacional", completou. Segundo Braga, o custo de geração dessas unidades, no novo modelo, pode cair de R$ 600 ou R$ 650 por megawatt para R$ 210 ou R$ 220 o megawatt.

PRIORIDADES

O ministro ainda defendeu que sua equipe está empenhada em reduzir os entraves no setor que acabam causando atrasos nas obras de geração, transmissão e distribuição.

Segundo ele, os pontos deste novo planejamento já foram aprovados pela presidente Dilma Rousseff e estão em curso.

Um deles, por exemplo, está em destacar as linhas de transmissão que são prioritárias, para dar a esses projetos um tratamento especial.

"Ninguém deixa de relatar [esses atrasos] no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, por razões que vão desde o licenciamento até as questões fundiárias", disse.

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