Duas décadas em uma noite

Foo Fighters fez show para fãs que curtem todas as fases da banda

iG Minas Gerais | Da redação |

Dave Grohl animou o público de Belo Horizonte em show com 23 músicas
LINCON ZARBIETTI
Dave Grohl animou o público de Belo Horizonte em show com 23 músicas

Seguindo o roteiro que vinha desempenhando em todos os shows da turnê na América do Sul, o Foo Fighters apresentou em Belo Horizonte, na noite da última quarta-feira (28), um apanhado geral de sua carreira de 20 anos. Apesar da turnê ser do disco mais recente da banda - “Sonic Highways” (2014) – apenas duas músicas das oito presentes no álbum foram tocadas para os 17 mil presentes na Esplanada do Mineirão. A noite contou também com a abertura do Raimundos e dos britânicos do Kaiser Chiefs. Às 21h15, como programado, o quinteto formado por Dave Grohl, Taylor Hawkins, Chris Shiflett, Nate Mendel e Pat Smear – acompanhados do tecladista de turnê Rami Jaffee - subiu ao palco tendo como fundo uma imagem da Igreja da Pampulha projetada no telão. Foi um bom começo, já garantindo a simpatia do público que aguardava com ansiedade, especialmente aqueles que passaram pelo aquecimento assistindo as bandas de abertura. Bastaram poucos segundos para Dave abrir o show com “Something From Nothing”, canção que também abre o “Sonic Hightways”. Logo em seguida, “The Pretender”, grande hit do “Echoes, Silence, Patience & Grace” (2007), manteve a animação inicial do público, que em parte colaborou com a festa jogando papéis picados vermelhos para o alto, conforme combinado pelos fãs nas redes sociais. Ainda sem terminar “The Pretender”, Dave deu a primeira das muitas pausas que fez ao longo do show, algo que se tornou, em alguns momentos, um pouco cansativo. “Vocês vão se divertir muito!”, gritou, incluindo, como fez em todos os momentos que falou com a plateia, alguns palavrões no meio da frase, exagerando na pose e reforçando o esteriótipo do roqueiro boca-suja. “Voces gostam de Rock and Roll?”. “Sim!”, disse o público”. “Eu também”, respondeu Dave, antes de finalizar a canção interrompida. Depois veio “Learn to Fly”, talvez o maior sucesso da banda, primeiro single de There Is Nothing Left to Lose (1999), álbum que também contempla “Breakout”, tocada em seguida em um dos momentos mais curiosos do show, quando a guitarra de Dave Grohl foi assumida por Rafael Giácomo - guitarrista e vocalista da “Monkey Wrench”, banda de BH cover dos Foo Fighters – que tocou os primeiros acordes. Por ser muito parecido com Dave, na altura, na barba e no cabelo, no modo de tocar e até nas tatuagens, eles enganaram muita gente até o vocalista original reaparecer, dar um abraço em Rafael e dizer: “Esse é meu irmão! Agora vai embora daqui!”, em tom de brincadeira. Dave então reassumiu a guitarra e continuou a música, caminhando pela primeira vez ao longo da passarela que tinha aos seus lados os dois setores de pista premium e ligava o palco à pista comum. Inaugurando as canções do “The Colour and the Shape” (1997), “My Hero” deu continuidade à série de clássicos. Logo após a canção, Dave colocou em palavras o que já estava acontecendo na prática: “Quero tocar músicas de todos os nossos álbuns”. E então veio “Big Me”, em tom de balada, acompanhadas por “Congregation”, do “Sonic Highways” e a primeira do “Wasting Light” (2011) no setlist: “Walk”. Foi após esta que Dave interrompeu o show novamente, desta vez para o clássico momento de apresentação dos membros da banda, que tocando introduções de “I'm the One” (Van Halen), “Ziggy Stardust” (David Bowie) e “Another One Bites the Dust” (Queen), em um momento que divertiu a plateia. Depois vieram “Cold Day in the Sun”, primeira do “In Your Honor” (2005), “In the Clear” e as clássicas “I'll Stick Around” e “Monkey Wrench”, esta última bastante esticada, para alegria do público que acompanhou balançando as mãos e iluminando a noite com as luzes dos celulares. Foi a deixa para Dave Ghrol pegar um violão, andar por toda a passarela e ficar frente a frente com o público da pista comum, onde talvez poderia ter ficado por todo o tempo: o abismo que separa as duas pistas, motivado por uma lógica do “pagar mais para ver melhor”, deixa muito fã longe da banda e muita gente que está lá mais pela festa grudado nos artistas. “Está vendo esse pessoal aqui (apontando para o público da pista comum)?” “E aquele ali (apontando para o da premium)?” Agora eu vou cantar algumas canções para esses aqui. E tocou. “Skin and Bones”, fazendo dueto com Rami Jaffee tocando acordeon, em dos melhores momentos do show; “Wheels” e “Times Like These”, que iniciou lá mas terminou no meio da passarela, de onde surgiram, por baixo dela, todos os membros da banda. Foi nessa hora que Podé, vocalista da banda mineira Tianastácia, correu para tirar uma foto mais perto de Dave. “Aula de música, me inspira total. O cara era um baterista falido e deu a volta por cima”, disse ele um pouco antes. “E é em BH. Do lado de casa, aqui tem que ir em tudo”. Além dele e de outros membros do Tianastácia, músicos do Jota Quest, do Skank e do Raimundos não perderam a chance de ver os Foo Fighters de perto e se misturaram ao público. Então vieram os covers. Com o palco montado no meio da passarela e girando a cada música, alternando sua face para um dos lados da pista premium, os Foo Fighters tocaram na íntegra “Detroit Rock City” (Kiss), “Tom Sawyer” (Rush), “Let There Be Rock” (AC/DC) e “Under Pressure” (David Bowie e Queen), esta última com Dave dividindo os vocais com o baterista Taylor Hawkins, um dos mais queridos do público e que mostrou que tem qualidade não só com as baquetas. Com os músicos de volta para o palco principal, vieram as quatro últimas canções, iniciadas por “All My Life”, principal sucesso do quarto álbum da banda (One By One, 2002). Dave pediu: “Cantem!”, e o público atendeu. Ponto alto do show, a música empolgou muito a plateia de todos os setores. Em seguida, “These Days” e “Best of You”, outra que se destacou muito pela empolgação do público, que entoava um “ôôôô” na parte mais tranquila da música. Entre os que curtiram esse momento estava Digão, do Raimundos, mostrando que abrir o show não era o único motivo pelo qual ele estava lá. “Rock and Roll. Foi maravilhoso (abrir para eles), uma noite de puro rock. Nunca parar, essa é a maior inspiração que o Dave Grohl me dá”, disse o vocalista e principal guitarrista do grupo. Mas, ironicamente, era a hora de parar. Pelo menos nessa noite. “Nós não gostamos de dizer tchau...então dizemos isso”, foi o que falou Dave antes de iniciar “Everlong”, cuja letra soa perfeita para um encerramento: “E eu me pergunto, quando eu canto junto com você/Se tudo pudesse ser tão real assim para sempre?/Se tudo pudesse ser tão bom assim de novo?”. É o que muitos devem ter se perguntado.

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