Mãe de Fabiana não é a favor de denúncia de acusado de racismo

Apesar de deixar a decisão nas mãos da filha, Maria do Carmo acredita que Deus irá fazê-lo pagar pelo que deve

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

PEDRO SILVEIRA/O TEMPO
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Mesmo sendo atingida em cheio pelas injúrias raciais feitas contra sua filha, a mãe da central Fabiana, Maria do Carmo, mostra uma serenidade difícil de ser vista. Ela estava na Arena Minas na última terça-feira, quando o Minas venceu o Sesi-SP, equipe que a meio-de-rede defende. No segundo set, um dos torcedores que estavam no ginásio começou a xingar a jogadora da seleção brasileira de vários nomes, entre eles de 'macaca'.

"Eu estava tão concentrada no jogo, pelo fato do Sesi-SP não estar perdendo, que nem percebi. Ouvi algumas pessoas, inclusive que estavam comigo, dizendo que alguém estava sendo racista, mas demorei para me dar conta. Isso nunca tinha acontecido com ela antes, ela é muito querida e não imaginei que fosse verdade", lamenta Maria do Carmo.

Foi somente depois que o torcedor, identificado como Jéferson Gonçalves de Oliveira, 43, foi retirado, que a mãe de Fabiana se deu conta de tudo que tinha acontecido. "Quando o jogo acabou e pude estar com ela, preferi não falar nada para não aborrecê-la. Mas ela veio me perguntar e eu confirmei a história. Foi um momento de muita tristeza. Ela sempre chorou de alegria, mas naquela hora foi diferente. Foi um sentimento estranho para todos nós, que nunca tínhamos vivenciado algo parecido", afirma.

O apoio que Fabiana recebeu de jogadoras do vôlei, de torcedores e do próprio Minas, deixam claro o carinho que ela desperta nas pessoas. "Ela é muito querida. Mesmo quando joga contra o Minas, em Belo Horizonte, ela é bem recebida. Isso sempre aconteceu desde seu tempo de criança. A Fabiana é um exemplo para muita gente e fico feliz com essas pessoas que estão sendo solidárias a ela", pontua.

Sem desejar o mal. Apesar da dor, Maria do Carmo garante que não deseja nada de mal para o porteiro agressor. "Não quero pagar o mal com o mal. Espero que Deus tome o controle da situação e que possa fazer este homem a refletir sobre o que fez. Quero que acontece o que for do seu merecimento. Quando ele começou a xingar, as pessoas ao lado dele se retiraram. Ele é um verme infiltrado, um pobre de espírito. Só quero que ele tenha a consciência do que fez, que possa repensar antes de fazer as coisas. Ele não é nenhum jovem, já tem idade para agir de forma madura. Ele precisa ser um exemplo para os amigos e familiares", relata. 

Sobre a decisão da denúncia ser feita ou não, Maria do Carmo deixa a decisão na mão da filha, mas dá sua opinião. "Quem decide é ela, que fez isso para evitar novos incidentes parecidos. Se deixa quieto, isso continua. Acho que ela não deve denunciar, até porque não temos sentimento de raiva ou ódio, somente de dó", mostra.

Ela garante que vai continuar comparecendo normalmente aos jogos do Minas como sempre fez. "Gosto de ficar no meio do povo e assim vai ser no futuro. Isso não vai nos abater, a Fabiana vai continuar tendo muito mais conquistas do que tristezas na sua vida", garante.