Gorbachev alerta para risco de conflito armado entre EUA e Rússia

A guerra de palavras entre russos e ocidentais está em seu auge, e a cada dia surgem novas acusações ou recriminações

iG Minas Gerais | AFP |

Líder soviético questiona decisões que restringem processo eleitoral
JAMES HILL/THE NEW YORK TIMES
Líder soviético questiona decisões que restringem processo eleitoral

O último líder soviético, Mikhail Gorbachev, acusou nesta quinta-feira os Estados Unidos de conduzirem a Rússia para uma nova Guerra Fria, podendo dar início a conflito armado.

Essa declaração foi dada antes de uma reunião da União Europeia para discutir sanções contra Moscou por seu papel na crise ucraniana.

A guerra de palavras entre russos e ocidentais está em seu auge, e a cada dia surgem novas acusações ou recriminações. Enquanto os combates continuam no leste da Ucrânia, onde pelo menos seis civis morreram em bombardeios na região de Donetsk, russos, ucranianos e, por vezes, europeus, tomaram a História como refém para fins políticos.

O exemplo mais recente: o Parlamento russo, a Duma, está considerando uma resolução condenando a "anexação" da Alemanha Oriental pela Alemanha Ocidental, em 1989, após a queda do Muro de Berlim. Este retorno da História ocorre pouco depois de uma polêmica entre a Rússia e a Polônia sobre a abertura dos portões do campo de extermínio nazista de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945.

Esta escalada verbal e as novas sanções de Washington contra Moscou se aproximando, levaram o último líder soviético a acusar os Estados Unidos de levar o mundo à guerra.

"Temos ouvido falar de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra a Rússia. Perderam a cabeça?", declarou Mikhail Gorbachev à agência de notícias Interfax. Washington "está nos conduzindo a uma nova Guerra Fria", criticou o ex-líder de 83 anos.

"E depois, o que será? Eu não sou capaz de dizer com confiança que isso não nos levará de fato a uma guerra", concluiu.

A declaração do Prêmio Nobel da Paz vem no momento em que os ministros de Relações Exteriores da UE estão reunidos em Bruxelas nesta quinta-feira para considerar novas sanções contra a Rússia, um anúncio que, no entanto, distanciaram-se a Grécia e Chipre, enquanto o consenso é necessário.

De acordo com fontes diplomáticas, Bruxelas está se movendo em direção a uma extensão da sua lista negra de pessoas punidas por seu envolvimento no conflito, mas não prevê aumentar as sanções econômicas que pesam até o momento sobre a Rússia.

Durante uma conversa por telefone com o presidente ucraniano Petro Poroshenko, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, indicou na quarta-feira que o preço a ser pago "continuará a aumentar" para Moscou, "enquanto a Rússia não cessar as suas violações flagrantes das suas obrigações".

O Kremlin é acusado pelos ucranianos e o Ocidente de apoiar militarmente os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia e de enviar suas tropas regulares aos combates.

A Rússia, cujas relações com o Ocidente enfrentam uma crise de gravidade sem precedentes desde a queda da União Soviética, nega qualquer envolvimento direto no conflito, que já custou mais de 5.000 mortes em nove meses.

Os ocidentais elevaram o tom contra Moscou desde o ressurgimento da violência, especialmente após o bombardeio da cidade portuária ucraniana de Mariupol, que matou 31 civis.

TROCA DE PRISIONEIROS

No terreno, os bombardeios mataram três civis na madrugada desta quinta-feira em Donetsk, reduto dos rebeldes pró-russos, de acordo com a administração separatista da cidade.

E três civis também foram mortos em Debaltseve, ainda na região de Donetsk, de acordo com as autoridades ucranianas.

O exército ucraniano não relatou novas perdas em suas fileiras, mas indicou que intensas trocas de tiros de artilharia continuam nas regiões de Donetsk e Lugansk, particularmente em torno de Debaltseve, entroncamento ferroviário estratégico quase inteiramente cercado pelo rebeldes separatistas.

O exército ucraniano e as autoridades da República Popular autoproclamada de Donetsk (DNR) também realizaram uma primeira troca de prisioneiros desde a tomada do aeroporto de Donetsk, constatou um jornalista da AFP no local.

Alexandre Mikhailtchouk, um soldado ucraniano gravemente ferido na cabeça durante os combates, foi trocado por um soldado rebelde também ferido.

"Mantenham-se de pé e voltem vivos. Viva a Ucrânia!", disse ele, dirigindo-se a seus companheiros ainda presos.

"Estamos nos preparando para recuperar um grande grupo de homens. E vamos fazer todo o possível para recuperar aqueles que ainda estão lá fora", disse Yuri Tandit, um negociador dos serviços de segurança ucranianos.

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