Capacidade do Cantareira fica estável pelo 4° dia seguido

Notícia de que um rodízio "drástico" pode ser adotado provocou entre os paulistanos uma corrida às distribuidoras de água mineral

iG Minas Gerais | Folhapress |

Escassez.
 Volume do sistema Cantareira (SP) voltou a registrar queda ontem:   6,8%  da capacidade
LUIS MOURA
Escassez. Volume do sistema Cantareira (SP) voltou a registrar queda ontem: 6,8% da capacidade

A capacidade do sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na zona norte e partes das zonas leste, oeste, central e sul da capital paulista, permaneceu estável pelo quarto dia consecutivo.

De acordo com o boletim divulgado nesta quinta-feira (29) pela Sabesp, o Cantareira opera com 5,1% de sua capacidade --que já inclui a segunda cota do volume morto (água do fundo do reservatório que não era contabilizada).

A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) prevê que o rodízio de água na Grande São Paulo deva ser iniciado até a primeira quinzena de abril. O prazo coincide com o fim do período chuvoso no Sudeste e com a estimativa do término da segunda cota do volume morto do Cantareira.

A Sabesp também estuda restringir o rodízio às regiões atendidas pelo sistema. O modelo ainda será definido, e o mais radical é o de cinco dias sem água e dois com. A medida, segundo a gestão de Alckmin, é a última alternativa para evitar o colapso do Cantareira.

A notícia de que um rodízio "drástico" pode ser adotado provocou entre os paulistanos uma corrida às distribuidoras de água mineral."Eu entrei em pânico", afirmou a dona de casa Eliana Rossi, que comprou 140 litros de uma vez.

Diferentes moradores de todas as regiões da capital e dos municípios da região metropolitana da Grande SP têm ficado em média, todos os dias, ao menos 14 horas e 20 minutos com menos água nas torneiras. Apenas na capital do Estado, esse intervalo é ainda maior: 15 horas e 13 minutos. No site da Sabesp, o cliente pode consultar se a pressão está sendo reduzida em sua cidade e bairro e verificar os horários em que haverá menos água disponível.

O governador de São Paulo já discute novo aumento na tarifa de água a partir de abril, quatro meses após o último reajuste. Outra hipótese estudada é o endurecimento da cobrança de sobretaxa para quem gastar mais água. Além disso, o governo paulista já considera utilizar a terceira cota do volume morto do Cantareira.

Como saída para amenizar a crise da água, Alckmin quer usar a água da represa Billings para reduzir os impactos da crise que atinge a Grande São Paulo. Contudo, a represa Billings tem lixo acumulado em diversos pontos e água esverdeada pela proliferação de bactérias.

Alto Tietê

Já o nível do reservatório Alto Tietê, que também sofre as consequências da seca, opera com 10,7% de sua capacidade após subir 0,1 ponto percentual em relação ao dia anterior. O sistema abastece 4,5 milhões de pessoas na região leste da capital paulista e Grande São Paulo.

No dia 14 de dezembro, o Alto Tietê passou a contar com a adição do volume morto , que gerou um volume adicional de 39,5 milhões de metros cúbicos de água da represa Ponte Nova, em Salesópolis (a 97 km de São Paulo).

Demais sistemas

A represa de Guarapiranga, que fornece água para 5,2 milhões de pessoas nas zonas sul e sudeste da capital paulista, opera com 47,8% de sua capacidade após o nível subir 0,4 ponto percentual em relação ao índice anterior.

O nível do reservatório Alto de Cotia, que fornece água para 400 mil pessoas, permaneceu estável e opera nesta quinta com 28,5% de sua capacidade. Já o sistema Rio Grande, que atende a 1,5 milhão de pessoas, opera com 74,4% de sua capacidade após baixar 0,2 ponto percentual em relação ao índice anterior.

O reservatório de Rio Claro, que atende a 1,5 milhão de pessoas, opera com 26% de sua capacidade após baixar 0,6 ponto percentual em relação ao dia anterior. A medição da Sabesp é feita diariamente e compreende um período de 24 horas: das 7h às 7h.