Racionamento foi decretado

iG Minas Gerais |

A julgar pela entrevista do governador Fernando Pimentel (PT) ontem, após se reunir com a presidente Dilma a fim de pedir dinheiro para as obras de aumento da captação de água dos rios da região metropolitana de Belo Horizonte, a situação é muito grave. Segundo ele, “se não chover, se o consumo não cair e se a vazão não aumentar em três meses”, o Estado terá de racionar “severamente” o consumo de água. Todos os condicionantes cogitados pelo governador – e ele sabe muito bem disso – têm prognósticos negativos. De acordo com meteorologistas, o índice de chuva esperado para a região Sudeste durante o verão ficará cerca de 30% abaixo do normal, ou seja, insuficiente para repor em níveis de segurança hídrica os reservatórios da Grande Belo Horizonte. O outro “se”, relativo à diminuição do consumo, também dificilmente ocorrerá de forma a atingir os 30% de economia de água desejados pelo governo, por meio das campanhas de conscientização. Essa meta só poderá ser atingida se penalizar o bolso do consumidor. Porém, as multas sobre o gasto de água ainda estão em estudo e só deverão entrar em vigor em um momento agudo da crise, pois implicam um desgate tremendo para um governo com pretensões eleitoreiras (como todos no Brasil). Por fim, o possível aumento da vazão também é pouco provável, pois depende essencialmente da disponibilidade de água nos cursos hídricos, determinada basicamente pelo regime de chuvas. Em outras palavras, como tirar água de onde não há água? Essa é a situação do principal projeto proposto até agora pelo governo mineiro – aumentar em 4 m³/s (4.000 litros por segundo) a retirada de água do rio Paraopeba para desviá-la para um dos reservatórios da Grande BH. Porém, como mostra a edição de hoje do jornal O TEMPO, a nascente do Paraopeba já esta seca. Para piorar, essa obra para aumentar o volume de água a ser distribuída, só começaria em novembro, quando o período de estiagem de um ano com níveis pluviométricos atípicos (abaixo do normal) ainda deve estar vigorando. Então, as palavras de ontem do governador podem ser tomadas como uma declaração sobre a ocorrência, sim, de um racionamento de água em Minas Gerais em breve. Se escaparmos dessa medida nos próximos três meses, não devemos ter o mesmo êxito do meio do ano em diante. Só não se sabe o impacto – dias inteiros ou picos de horário sem fornecimento ou rodízio entre bairros para distribuição de água, como já ocorre em São Paulo. Finalmente. Depois de uma série de suspeitas de mau uso do dinheiro público e de abusos comprovados, enfim, a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte criou uma norma para inibir a ocorrência de fraudes no uso da verba indenizatória por parte dos vereadores. Produtos de uso comum serão licitados pela Casa.

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