Copasa vai ‘caçar’ vazamentos

Gatos, que são ligações irregulares, também estão na mira de equipes da companhia de água

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Na esquina da rua Codajás com rua Loreto, no bairro São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, adutora da Copasa se rompeu e deixou 14 bairros sem água ontem. A normalização do abastecimento seria feita gradativamente até a noite de ontem, garantiu a companhia
Uarlen Valério
Na esquina da rua Codajás com rua Loreto, no bairro São Gabriel, na região Nordeste de Belo Horizonte, adutora da Copasa se rompeu e deixou 14 bairros sem água ontem. A normalização do abastecimento seria feita gradativamente até a noite de ontem, garantiu a companhia

A partir da semana que vem, equipes da Copasa estarão nas ruas em busca de vazamentos e ligações irregulares de água em Belo Horizonte. Essa é a maior causa de desperdício de água na cidade, que chega a 40% do total distribuído pela estação de tratamento. O objetivo é que esses servidores façam uma fiscalização ativa em busca de problemas, e não apenas quando há solicitação por parte dos usuários.

Essa foi uma das medidas anunciadas para a economia de água nos próximos meses e para evitar que o sistema de abastecimento do Paraopeba entre em colapso com os três reservatórios que abastecem a região metropolitana. “Encontramos um cenário de grave sucateamento na operação do sistema. Vamos colocar equipes ativas que vão atuar para reduzir o índice de desperdício do sistema com vazamentos e ligações irregulares”, afirmou o diretor de Operações Metropolitanas da Copasa, Rômulo Perilli. Serão 40 equipes para atuar em toda a região metropolitana com equipamentos para controlar vazamentos. Com essa ação, a Copasa pretende ainda reduzir o tempo de atendimento para conter vazamentos denunciados pelos clientes, que atualmente é de nove horas. Colapso. Essa ação, juntamente com a economia de 30% no consumo da população e uma “ajudinha de são Pedro”, pode evitar um colapso total do sistema Paraopeba, que pode ter seu volume zerado já em agosto se nada for feito. “Se não houver economia e as chuvas seguirem a média de 2014, não haverá água nos reservatórios do Paraopeba. A situação é extremamente crítica”, conclui Perilli. O sistema Paraopeba é responsável pelo abastecimento de 30% do consumo de Belo Horizonte, e, atualmente, o nível dos reservatórios está em 29,88%. As regiões do Barreiro, Venda Nova, Norte, Noroeste, Oeste e Pampulha dependem dessa água. Sem o volume do Paraopeba, o único grande sistema de captação de água que continuaria a operar em Belo Horizonte é o do rio das Velhas, que responde por 60% do abastecimento da capital. Porém, atualmente a água do Velhas não chega a todas as regiões de Belo Horizonte: abastece a Centro-Sul, Leste e parte da Nordeste. É possível levar água do sistema rio das Velhas para parte da região de Venda Nova e Norte. A adutora que liga os dois sistemas, chamada de Linha Azul, começou a operar em 2013 e possibilita a interligação entre os dois sistemas entre os reservatórios do Taquaril, no extremo leste da capital, como reservatório do bairro Céu Azul, que fica na região de Venda Nova.

Os problemas Pelo ralo. A cada dez litros de água que saem da estação de tratamento, apenas seis chegam até o consumidor. O desperdício de 40% é provocado principalmente por vazamentos ao longo do sistema. Gatos. Também contribuiu para esse índice o número de ligações irregulares para captar água. Segundo o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), os gatos em Minas Gerais representam uma perda de 400 mil litros de água por segundo.

População vai ser avisada da redução da pressão da água A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vai avisar a população quando for necessário reduzir a pressão da água no sistema de fornecimento. A medida tem sido adotada pela companhia para aumentar a economia e afeta de maneira mais intensa as residências que ficam em locais mais altos. Alguns bairros que são abastecidos pelo sistema Paraopeba, como Castelo, na Pampulha, e Buritis, na região Oeste, sofreram nos últimos dias a redução da pressão. Na prática, essa medida reduz a quantidade de água que sai das torneiras a cada segundo, deixando o esguicho mais fraco. A Copasa reforçou que essa medida não afeta o abastecimento, pois a água continua a chegar aos clientes, só que com uma vazão menor. Em nota, a empresa informou que, como não há interrupção no abastecimento, não é obrigada a avisar os consumidores, mas que, “com a política de transparência adotada pela nova diretoria da Copasa, essa redução será avisada”.

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