Rio só tem água até outubro, e São Paulo já discute o rodízio

Reservatórios cariocas estão quase todos no volume morto

iG Minas Gerais |

Só filete. 
Represa do rio Atibainha, na cidade de Nazaré Paulista, no interior de SP, está seca
NILTON CARDIN
Só filete. Represa do rio Atibainha, na cidade de Nazaré Paulista, no interior de SP, está seca

Rio de Janeiro e São Paulo. Se não chover o suficiente para encher parte dos reservatórios, os 2,95 trilhões de litros acumulados nas reservas técnicas das quatro represas que abastecem a região metropolitana do Rio de Janeiro só duram até outubro, avaliam técnicos do setor hídrico. Na última segunda-feira, depois que o segundo reservatório da bacia do Rio Paraíba do Sul atingiu o volume morto, a Agência Nacional de Águas (ANA) informou, em nota oficial, que “o mesmo deve ocorrer nos próximos dias nos demais reservatórios”.  

Essas duas represas, de Jaguari e Funil, operavam na terça-feira com apenas 1,72% e 3,77% da capacidade do volume útil, respectivamente. “Se não chover e for mantida a vazão mínima atual de 140 metros cúbicos por segundo na Estação Elevatória de Santa Cecília, temos mais 250 dias”, afirmou o coordenador do Instituto de Mudanças Globais da Coppe/UFRJ, Marcos Freitas, referindo-se aos volumes mortos dos quatro reservatórios.

Ele ressalvou, porém, que ainda não se sabe a quantidade total que poderá ser aproveitada dessas reservas técnicas. A maior delas é a de Paraibuna, que acumula 2,1 trilhões de litros, seguida por Jaguari (443 bilhões de litros), Funil (282 bilhões de litros) e Santa Branca (131 bilhões de litros). Ex-diretor da ANA no período 2001-2004, Freitas avalia que o racionamento deveria ser adotado “o quanto antes” no Estado do Rio.

São Paulo. Em coletiva após a reunião de prefeitos da região metropolitana para tratar da crise hídrica, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), cobrou da Sabesp e do governo do Estado um plano de comunicação “mais efetivo” para alertar a população sobre a situação do abastecimento em São Paulo. A criação de um comitê de crise e de um plano de contingência são as outras duas reivindicações dos prefeitos que se reuniram ontem. O prefeito da capital disse que ficou sabendo do “duro” plano de racionamento pelos jornais. Anteontem, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, afirmou que o rodízio poderia chegar a cinco dias sem água por dois com abastecimento. “Foi uma surpresa tão grande pra nós quanto para vocês”, disse o petista.

O prefeito de São Paulo justificou o pedido por uma comunicação mais eficiente dizendo que parte da população está “desavisada” sobre a gravidade da crise.

Reservatórios Nível cai nas regiões em uma semana: Sudeste/Centro-Oeste: de 17% para 16,93% Nordeste: 16,79% Norte: 35,57% Sul: de 66% para 62,52%

Indústrias A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) calcula que a falta de água vai atingir diretamente mais de 60 mil indústrias instaladas no Estado, afetando empregos e o PIB.

Mina da Vale A Justiça determina que a Vale suspenda a operação de uma estrada, que liga a mina do Pico à mina da Fábrica, em Itabirito. Segundo o comunicado, a obra prejudica a fauna e traz riscos para o abastecimento de água na região. A empresa disse que vai se manifestar após ser notificada.

Mobilização A crise hídrica será o tema principal da 45ª assembleia anual da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) e que será realizada em maio, em Poços de Caldas, no Sul de Minas. A entidade reúne 2.000 associados, entre prefeituras e serviços autônomos de água e esgoto.

Orientação Empresas como Petrobras, Unilever, Rhodia e Ypê foram orientadas pelo Consórcio das Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí a captar e armazenar toda a água de chuva antes do período de estiagem, que começa em abril. A recomendação também foi dada a 43 municípios de São Paulo.

Punição Trinta prefeitos da Grande São Paulo concordaram ontem encaminhar às câmaras municipais de suas cidades proposta unificada de lei para cobrança de taxas a moradores que desperdiçarem água. Cada uma das cidades ainda discutirá exceções e multas aplicadas em cada um dos casos.

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