Filme não passa do novelão com boas interpretações

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Felicity Jones e Eddie Redmayne são os destaques do longa
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Felicity Jones e Eddie Redmayne são os destaques do longa

A verdadeira teoria dissecada em “A Teoria de Tudo” é que, por trás de um grande homem, existe sempre uma grande mulher colocando sua própria genialidade em segundo plano em nome... do amor. E é esse pequeno enorme detalhe que pode frustrar quem for ao filme esperando uma exploração do complexo pensamento científico do físico Stephen Hawking. Porque o longa está mais interessado em outra complexidade: a das diversas possibilidades do “amar”.

Baseada na biografia de Jane Hawking (Felicity Jones), a produção narra seus anos ao lado de Stephen (Eddie Redmayne). Os dois se casaram pouco depois de ele ser diagnosticado com uma doença neuromotora que atrofiou ao longo dos anos todos os movimentos do corpo do cientista inglês. Nessa perspectiva, o filme foca mais nos desafios domésticos dessa delicada parceria. Leia-se, Jane deixando a própria carreira acadêmica de lado, enquanto cuida dos três filhos e de Stephen, fazendo de tudo para que, mesmo com a doença, ele tivesse todas as condições para desenvolver suas famosas teorias.

A abordagem doméstica não é o problema, mas sim o fato de que o longa nunca tenta encontrar uma forma original ou visualmente interessante de contar essa história. Algo que surpreende ainda mais vindo do diretor James Marsh, que ganhou um Oscar pela engenhosa e emocionante encenação do documentário “O Equilibrista”. Com uma trilha melodramática, uma fotografia que tenta ressaltar o gênio de Hawking com uma luz que parece um filtro do Instagram e um roteiro burocrático, cheio de diálogos que nunca vão além do banal, cabe exclusivamente aos atores elevar o material a algo além de um grande novelão passado no universo da alta ciência.

Jones se esforça ao máximo para encontrar a dignidade no ingrato papel da esposa sofrida. Católica devota, Jane acredita nessa ideia do amor como um “se doar até doer”, acabando presa no fogo cruzado entre suas crenças e seus sentimentos. E a atriz inglesa explora esse conflito – melhor do que o próprio roteiro, que nunca se aprofunda no embate entre a fé dela e a ciência de Hawking – com uma transparência emocional que lembra uma mistura das conterrâneas Kate Winslet e Kristin Scott-Thomas (e que ela teve melhor chance de demonstrar nos ótimos “Like Crazy” e “O Nosso Segredo”).

Mas o grande destaque é mesmo Redmayne como o protagonista. É fácil ser cínico a respeito dessas grandes transformações em época de Oscar, mas o ator encara um desafio danieldaylewsiano – ele teve que interpretar fases diferentes da doença de Hawking, com contorções musculares e margens de movimento diversas, em um mesmo dia de filmagem – com uma competência e uma técnica que desaparecem em uma verdadeira personificação na tela. É uma performance que merecia um filme melhor, assim como o legado de Stephen Hawking. (DO)

Outras estreias

Entram em cartaz ainda o documentário “Cassia Eller”, sobre a trajetória da cantora brasileira; “A Entrevista”, foco dos ataques de hackers à Sony; “Caminhos da Floresta”, que deu a Meryl Streep mais uma indicação ao Oscar; “Grandes Olhos”, novo de Tim Burton; e o terror “A Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte”.

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