Banheiro do trabalho é usado para conversar, chorar e ler

Brasileiros são os que mais se preocupam com limpeza; estudo ouviu 13 mil pessoas em 13 países

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Um ambiente bastante versátil que serve para ler, falar ao telefone, comer, dormir, trocar de roupa e até usar o vaso sanitário. Essas são algumas das atividades que os brasileiros disseram que fazem com frequência no banheiro do trabalho. Os resultados de um estudo global feito por uma marca de produtos de higiene, que mapeou o comportamento de mais de 13 mil pessoas em 13 países, também mostrou que, apesar do curioso costume, a população brasileira é a que mais se preocupa com o risco de contrair doenças devido à falta de higiene em locais públicos.

Entre os brasileiros que participaram do estudo, 70% afirmaram estar frequentemente preocupados com as chances de adoecer em função da higiene precária. O México ficou em segundo lugar (61%), seguido por China (56%) e África do Sul (53%). Países como Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Itália tiveram índices entre 16% e 20%, e as taxas mais baixas foram registradas na Holanda (9%) e na Suécia (8%) (veja infográfico ao lado).

Os resultados podem denunciar hábitos culturais, como a falta de infraestrutura, segundo a avaliação da enfermeira e porta-voz da pesquisa, Maria Alice Lelis. “Alguns países da Europa, por exemplo, têm banheiros públicos e bem-cuidados nas ruas e, aqui, estamos aquém do ideal de acesso a banheiros públicos higienizados. Talvez, por terem um país muito desenvolvido, os suecos não precisam se preocupar tanto como os brasileiros”, diz.

De olho. A comerciante Eliana Efigênia Fagundes, 40, conta que evita ao máximo utilizar os banheiros públicos, mas, na falta de opção, acaba usando-os. “A falta de higiene nesses locais é uma preocupação para mim, sim, mas eu olho muito o banheiro, e vai depender do ambiente que eu vou encontrar. Além disso, independentemente de estar limpinho, é preciso ter alguns cuidados”, reconhece.

Das más experiências que já teve quando trabalhava com mais de 40 pessoas, Eliana lembra que o que mais a incomodava era a falta de zelo das pessoas com o espaço comum. “O banheiro feminino deixava muito a desejar. As pessoas molhavam o cabelo na pia e deixavam pingar no chão, depois pisavam, sem nenhuma preocupação”, disse a comerciante, que hoje só divide o espaço do trabalho com o marido.

Eliana, no entanto, reconhece que já usou o banheiro do antigo trabalho para fins não fisiológicos. “Às vezes, era um local para dar uma ‘fugidinha’ quando estava chateada com alguma coisa. Era até bom para pensar um pouco e voltar mais calma para contornar a situação”, reconhece.

Educação. Apesar das boas surpresas que o administrador André de Oliveira e Silva, 26, diz que tem tido ao utilizar os toaletes públicos e do ambiente de trabalho, ele está entre os 39% dos brasileiros que disseram que é preciso fornecer mais informação e educação para elevar os padrões de higiene da população.

“Me preocupo um pouco com os riscos, mas entendo que você nunca vai achar na rua a higiene que você tem em casa. Apesar disso, tenho encontrado banheiros agradáveis. Onde trabalho, há poucas pessoas, sempre tem alguém responsável pela limpeza, e o máximo que os funcionários fazem é trocar de roupa”, conta.

A solução para melhorar as condições, segundo o administrador, está na conscientização. “É preciso ter noção e usar aquele espaço como se fosse o da sua própria casa”, acredita.

Toalete online

EUA. Um estudo descobriu que, enquanto falavam ao telefone, 44% das pessoas já ouviram barulho de descarga. Dos 61% que admitiram usar o celular, 49% liam mensagens, e 92% checavam as redes sociais.

Responsabilidade deve ser compartilhada Para aprender a lidar com essa nova realidade dos banheiros corporativos, a enfermeira Maria Alice Lelis diz que é preciso ter um cuidado especial de responsabilidade compartilhada entre empresas e funcionários. “Se 24% responderam que preferem não utilizar os banheiros do seu trabalho por não se sentirem seguros, isso é preocupante, uma vez que as pessoas podem acabar lavando as mãos com menos frequência e ser transmissoras de microorganismos”, diz. Enquanto os funcionários devem colaborar com os bons hábitos de higiene, “as empresas devem fornecer uma área física adequada, bem ventilada, desinfetada, com produtos adequados, além de um programa de treinamento para contribuir com a promoção da saúde na empresa”.

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