Atos de apoio e reforço policial marcam enterro de promotor argentino

Promotor foi encontrado sem vida em 18 de janeiro, com um tiro na cabeça; enterro acontece após 11 dias de investigação sobre sua misteriosa morte

iG Minas Gerais | AFP |

"Somos todos Nisman", ou "Queremos justiça!", gritavam manifestantes na tarde desta quarta-feira (28), à espera do carro com o corpo do promotor argentino Alberto Nisman, que será velado em uma cerimônia íntima com familiares e amigos.

Três patrulhas da polícia acompanharam o veículo que levou o corpo de Nisman do necrotério até um prédio da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). Lá, foi feito "o ritual de lavagem do corpo, de acordo com o estabelecido pela tradição judaica", informou a organização.

Com a ajuda de fiéis ortodoxos e de agentes da polícia portenha, o veículo deixou o bairro de Once, de maioria judia e no centro de Buenos Aires, para ser velado em uma casa funerária em Belgrano, ao norte da capital.

A polícia isolou os diferentes acessos à funerária em um perímetro de cerca de 100 metros.

Em um movimento espontâneo, várias pessoas foram pendurando nos muros próximos cartazes com mensagens de apoio aos familiares de Nisman.

O promotor foi encontrado sem vida em 18 de janeiro, com um tiro na cabeça. Seu enterro acontece após 11 dias de investigação sobre sua misteriosa morte.

Quatro dias antes de seu óbito, ele denunciou a presidente Cristina Kirchner e o ministro argentino das Relações Exteriores, Héctor Timerman, de bolarem um plano para acobertar iranianos acusados de envolvimento no atentado à Amia, em 1994. O promotor investigava o caso desde 2004.

"Eu sou Nisman", dizia o cartaz de uma mulher que, diante das câmeras, pediu "a verdade sobre morte de Nisman".

"Chega de impunidade na Argentina", desabafou, sem se identificar.

Líderes da comunidade judaica na Argentina - a maior da América Latina, com 300 mil pessoas - pediram que fosse declarado dia de luto nacional.

Cristina viaja para a China A presidente Cristina Kirchner viaja para a China, no próximo sábado, em meio à turbulência política causada pela denúncia e posterior morte de Nisman - informou à AFP uma fonte da Casa Rosada.

A visita vai até 5 de fevereiro e tem como objetivo "fortalecer a relação bilateral", após a visita do presidente chinês, Xi Jinpin, à Argentina, no meio do ano passado, explicou o chefe de gabinete da presidência, Jorge Capitanich, em declarações no início de janeiro.

A confirmação da viagem aconteceu pouco depois do anúncio, em Buenos Aires, da assinatura de um acordo preliminar em Pequim entre as petroleiras Sinopec, da China, e a YPF, da Argentina.

O acordo prevê o avanço no desenvolvimento de projetos no país sul-americano, caso da megajazida de hidrocarbonetos não convencionais Vaca Muerta, no sul da Argentina.

Em plena expansão de seus negócios na América Latina, a China tem pelo menos US$ 23 bilhões investidos na Argentina em hidrocarbonetos, mineração, finanças e exportação agrícola.

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