Testemunha do caso de racismo contra Fabiana dá sua versão dos fatos

Biólogo lembra do ocorrido na Arena Minas, quando torcedor não se intimidou ao chamar atleta, seguidamente, de macaca

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Era para ser somente mais um jogo dos poucos que o biólogo Atenágoras Carvalhais costuma ir na Arena Minas. Mas a noite da última terça-feira certamente será lembrada por ele durante muito tempo. Ele foi uma das testemunhas que fez questão de chamar a polícia após ouvir um dos torcedores que estavam presentes no jogo entre Camponesa-Minas e Sesi-SP, pela Superliga feminina, proferir injúrias raciais contra a central Fabiana, do time visitante.

"Foi no início do jogo, no primeiro ou segundo set. Ele chamava ela, insistentemente, de macaca. Falava que ia jogar banana na quadra, ficava gritando 'pretinha'. As pessoas ao redor começaram a ficar incomodadas e resolvemos chamar a segurança do ginásio. Enquanto pedíamos para ele se calar, ele respondia, nos chamando de viados e filhos disso e daquilo. Até insinuou que estava armado e chegou a questionar quem iria pará-lo. Suspeito até que ele estava sob efeito de álcool ou drogas. Ele perguntou quem seria homem de fazer alguma coisa, que ele não estava na casa de ninguém para ser impedido. Fiquei surpreso com sua atitude, ele não estava nem um pouco intimidado", lembra.

No entanto, a atitude que se seguiu decepcionou quem se revoltou com os gritos ofensivos. "O segurança chegou e apenas o mudou de lugar. Não ficamos satisfeitos e fizemos questão de chamar a polícia. Quando a PM chegou, informou que era necessária a participação da Fabiana para abertura do boletim de injúria racial. Fizeram um boletim afirmando que trocamos insultos, mas isso não aconteceu. Apenas pedimos a ele, durante o jogo, que se calasse. Todos os xingamentos partiram deste senhor", comenta. Um coro de racista foi 'puxado' antes da saída do torcedor que xingava Fabiana.

Segundo o biólogo, por exclusão, uma vez que as testemunhas eram ele, uma garota chamada Ludmila (Ludmila Duarte Elias) e um senhor de idade, provavelmente Laércio da Silva, o responsável pelos xingamentos seria Jéferson Gonçalves de Oliveira, de 43 anos.  "Quando a PM chegou, nem olhamos mais na cara dele. A PM perguntou a se a gente aceitava o pedido de desculpas e dissemos que não. Se dependesse do pessoal do Minas, este cara ia, somente, ser trocado de lugar", relata.

No boletim, não consta quem é o responsável, deixando no ar que qualquer um dos citados poderia ser o agressor. Depois de retornar para as arquibancadas somente no final do jogo, Atenágoras espera que Fabiana vá fundo na tentativa de incriminar o responsável.

"A decisão é dela, mas o que aconteceu foi um crime. Acho que ela deveria ir adiante, senão esse tipo de coisa continuará sendo propagada", sugere.