Empresas e prefeituras são orientadas a armazenar água até abril

A recomendação também foi dada a 43 municípios da região e considera a escassez de água até o fim de março nos reservatórios que formam o sistema Cantareira

iG Minas Gerais | Folhapress |

Empresas como Petrobras, Unilever, Rhodia e Ypê foram orientadas pelo Consórcio das Bacias dos Rios PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) nesta quarta-feira (28) a captar e armazenar toda a água de chuva antes do período de estiagem, que começa em abril.

A recomendação também foi dada a 43 municípios da região e considera a escassez de água até o fim de março nos reservatórios que formam o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento humano na Grande São Paulo.

Ao todo, 27 empresas são associadas ao consórcio, fundado em 1989 com o objetivo de preservar os rios e afluentes das bacias da região. Elas respondem juntas por 90% do consumo industrial de água na região.

O armazenamento pode ser feito por meio de represas, bacias de contenção ou qualquer tipo de reservatório. Segundo os técnicos do consórcio, não há legislação sobre o uso da água de chuva. Portanto, a medida não tem impedimento.

"Cada gota de chuva, até março, que é o período chuvoso, precisa ser armazenada. Isso porque, depois de março, pode ser que a situação hídrica da região piore", afirmou Andréia Borges, técnica do Consórcio das Bacias dos Rios PCJ.

A Petrobras e a Rhodia, por exemplo, captam água para uso industrial dos rios Jaguari e Atibaia, respectivamente. Eles integram a bacia do rio Piracicaba e tiveram a vazão reduzida devido à seca que atinge a região Sudeste do país.

A Petrobras tem uma refinaria em Paulínia (a 117 km de São Paulo), a maior do país em quantidade de petróleo refinado. Por segundo, ela capta 670 litros de água do rio Jaguari, e, em julho do ano passado, concluiu uma barragem no rio para não ter perdas.

Já a Rhodia, também em Paulínia, pode voltar a adotar rodízio de produção nas quatro fábricas de componentes químicos, como fez por duas vezes em 2014, caso haja novo rebaixamento do rio Atibaia. A empresa não tem alternativas para captação de água.

Além disso, desde o ano passado as autorizações para captação de água em rios foi suspensa pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) do Estado de São Paulo, por causa da escassez do recurso.

USO DA ÁGUA

As indústrias que dependem da água de três rios da região -Jaguari, Atibaia e Camanducaia- ainda terão de reduzir a captação em 30% quando os níveis atingirem índices entre igual ou menor a 4.000 litros por segundo e 1.500 litros por segundo.

As regras de restrição foram anunciadas na semana passada pela ANA (Agência Nacional de Águas) e o Daee e também atingem as empresas de abastecimento público e os agricultores que usam a água para irrigação.

De acordo com dados do Daee, os três rios têm 1.068 autorizações de captação, sendo 105 para abastecimento público, 156 para uso industrial e 770 para uso rural. A medida atinge 42 municípios, sendo quatro deles no Estado de Minas Gerais.

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