Pimentel pede recursos do governo federal para enfrentar crise hídrica

O petista classificou a situação como crítica e disse que, se não houver redução no consumo em até 30%, o Estado poderá enfrentar "grave racionamento"

iG Minas Gerais | Folhapress |

Fernando Pimentel anuncia secretariado
LEO FONTES / O TEMPO
Fernando Pimentel anuncia secretariado

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), pediu nesta quarta-feira (28) ajuda ao governo federal para enfrentar a crise hídrica que, assim como em outros Estados da região Sudeste, tem atingido Minas.

O petista classificou a situação como crítica e disse que, se não houver redução no consumo em até 30%, o Estado poderá enfrentar "grave racionamento".

Segundo Pimentel, o governo federal garantiu ajudar na obra emergencial de aumento de capacidade de captação do sistema metropolitano de Belo Horizonte, com cerca de 5,5 milhões de pessoas. A obra irá aumentar a capacidade de captação na bacia do rio Paraopeba para um dos reservatórios mais importantes da região, o rio Manso. O objetivo é aumentar a capacidade de captação para 4 a 5 metros cúbicos por segundo.

O governo mineiro prometeu apresentar a proposta do projeto até o fim de fevereiro. Segundo Pimentel, o valor da obra ainda será definido mas deverá ficar abaixo de R$ 1 bilhão.

Pimentel se reuniu com a presidente Dilma Rousseff na manhã desta quarta no Palácio do Planalto. Os ministros Nelson Barbosa (Planejamento) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), além de representantes da ANA (Agência Nacional de Águas) também participaram do encontro.

"Isso foi mostrado para a presidenta no intuito de que ela tomasse conhecimento da situação hídrica no Estado e também para que o governo federal possa nos auxiliar nas medidas mais emergenciais. O apoio foi garantido pela presidente", disse Pimentel.

O governador, no entanto, reconheceu que a obra só ficará pronta em novembro e pediu que a população ajude na redução do consumo de água em até 30% para que o Estado consiga atravessar o ano.

"A meta é reduzir 30% na região metropolitana nesses próximos meses. Se a campanha não for suficiente, nós vamos para o rodízio e se não for suficiente, vamos para o racionamento. Infelizmente essa é a realidade", disse Pimentel.

'CRISE DESENHADA'

Sem citar o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB), eleito senador, Pimentel afirmou que o cenário de crise já estava desenhado desde o ano passado e que medidas já podiam ter sido adotadas há mais de seis meses.

"Essa situação já estava desenhada desde o ano passado. Para vocês terem uma ideia, os reservatórios que compõem o sistema de abastecimento na região metropolitana de Belo Horizonte, em janeiro do ano passado tinham aproximadamente 70% da sua capacidade tomada e esse número caiu em janeiro deste ano para 30%. Então foi uma queda muito acentuada, a curva foi declinante ao longo dos 12 meses de 2014 e essa situação, portanto, podia ter sido detectada em meados do ano passado", disse.

Segundo Pimentel, a própria ANA já havia feito dois alertas sobre a situação no segundo semestre do ano passado. "Esses dois alertas não foram levados em conta. A população não foi comunicada da gravidade da situação", disse.

Questionado se considerava que houve negligência da antiga gestão, Pimentel afirmou apenas que não quer transformar a situação em uma disputa partidária ou política. "Não posso dizer porque seria juízo de valor", limitou-se a dizer.

O ministro Nelson Barbosa garantiu que o governo irá apoiar com recursos federais. Ele explicou que a obra emergencial para a região metropolitana de Belo Horizonte será executada por meio de um aditivo e um contrato de PPP (Parceria Pública-Privada) que já existe, por meio de uma adaptação no contrato.

"A ideia é que tenhamos todos os detalhes até o fim de fevereiro para que o governo federal possa analisar e definir como ajudar. Pode ser a inclusão dentre as obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), como foi feito com projetos do governo de São Paulo, ou em ações conjuntas para viabilizar as obras", afirmou Barbosa.

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