Uma heroína feminista na TV

Estrelada por uma mulher, spin-off evidencia machismo dos anos 1940

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Origem. Hayley Atwell interpreta a personagem tanto nos filmes do “Capitão América” quanto na série
Paramount
Origem. Hayley Atwell interpreta a personagem tanto nos filmes do “Capitão América” quanto na série

O novo programa da ABC “Agent Carter” é um exemplo de que é possível ter numa mesma série de ação uma heroína como protagonista, abordar temas relevantes e conseguir bons resultados. Depois de quatro episódios exibidos, a atração acumula satisfatória audiência nos Estados Unidos e anda colhendo elogios tanto de críticos quanto do público – no site Rotten Tomatoes, que coleta opiniões online, a produção conta com 97% de aprovação nas críticas publicadas e 88%, dos espectadores.

Mas o que mais chama atenção é o fato de, pela primeira vez, a Marvel estar bancando uma produção serial protagonizada por uma personagem feminina – já houve um filme, “Elektra”, cuja repercussão e investimento foram pequenos. Com o sucesso das franquias da empresa nos últimos anos, não faltaram especulações sobre spin-offs. A subversiva Viúva Negra, vivida por Scarlett Johansson em três longas de sucesso, quase ganhou um filme só para ela, mas o projeto foi brecado para que o longa sobre o Capitão Marvel tivesse mais atenção. Até super-heróis menos conhecidos, como o Homem Formiga, estão ganhando filmes.

Enquanto isso, as mulheres desse universo continuavam figurando ao lado ou atrás dos homens nos cartazes de divulgação. A série, assim, é por si só um feixe de luz em um cenário tomado por testosterona e, quem sabe, uma forma de a empresa se redimir com fãs que esperam ansiosos pelas heroínas à frente das aventuras fantásticas.

Para quem não se lembra ou não conhece, a protagonista Peggy Carter esteve presente nos dois primeiros filmes do Capitão América e, claro, povoa diversas edições dos quadrinhos. Ela é uma agente secreta do governo dos Estados Unidos que se apaixona por Steve Rogers (Chris Evans) durante a Primeira Guerra Mundial. Nesse período, também conhece e torna-se amiga de Howard Stark (também vivido na série por Dominic Cooper). O empresário da indústria bélica é responsável pelo desencadeamento da trama desta primeira temporada, que conta com apenas oito capítulos e no Brasil é exibida pelo canal Sony.

Machismo. No seriado, a exímia e rude espiã vive na Nova York de 1946, triste com a morte do Capitão América, por quem se apaixonou, e combatendo duas forças malignas: os terroristas e o machismo. Ela trabalha na agência Strategic Scientific Reserve (RCE) e é a única agente do sexo feminino entre dezenas de homens que, em sua maioria, questionam sua capacidade e competência por meio de piadas sexistas.

Logo em uma das cenas iniciais, estão todos reunidos na sala do chefe. No final, Jack Thompson (Chad Michael Murray, de “One Tree Hill”) pede à moça para pegar um café. Em resposta, ouve que ela não é secretária. Como se não bastasse, em seguida Carter é convocada pelo mesmo personagem a preencher relatórios, pois é “o que sabe fazer melhor”.

No entanto, as capacidades como espiã de Carter são tão superiores às de seus pares que ela nem mesmo se dá o trabalho de provar isso a eles. Sabiamente, os diretores mostram esse desequilíbrio ao caracterizarem os três principais investigadores com atitudes infantis, lembrando, por vezes, “Os Três Patetas” dentro de um escritório. Já Carter está sempre nas ruas, investigando o atentados terroristas que ameaçam a paz da cidade.

Para conseguir dar cabo de seu trabalho e viver uma vida normal – já que nenhum de seus contatos sociais pode saber qual é seu verdadeiro trabalho –, a agente precisa ser muitas. Ora fantasia-se de loira fatal para obter um objeto perigoso de um traficante, ora é uma aspirante a atriz que reclama com suas amigas sobre as dificuldades que tem de conseguir papéis por ter de competir desigualmente com os homens.

Esses aspectos tornam atual essa série ambientada na década 1940. Afinal, hoje em dia as mulheres continuam contando com versatilidade para combater as desigualdades sexistas impostas pela sociedade.

Participação

O quarto episódio de “Agent Carter” conta com uma apresentação especial: Stan Lee, criador dos personagens da Marvela. Diretor emérito da Marvel Entertainment, Lee sempre participa de longas sobre suas criações

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