Ceará traz afetividade e sexo à mostra

Enquanto Dellani Lima apresentou seu novo longa em Tiradentes, grupo de cineastas levou “O Animal Sonhado”

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

“O Animal Sonhado” traz elenco jovem em situações em que todos os caminhos levam ao sexo
Reprodução / Facebook
“O Animal Sonhado” traz elenco jovem em situações em que todos os caminhos levam ao sexo

Tiradentes. Foi com a banda Madame Rrose Sélavy (criada em 2009 com um grupo de amigos que tomavam todos remédios controlados, decidiram fazer música sobre bulimia e afins e acabaram parando na MTV) e ao atuar em longas alheios, como “Linz – Quando Todos os Acidentes Acontecem”, exibido em Tiradentes em 2013, que Dellani Lima viu que havia artistas que estavam trabalhando com o seu mesmo conceito de experimental, mas conseguindo resultados que encontravam uma comunicação emocional maior com o público. “Tive uma crise num quarto de hotel em um festival, de ver quão longe eu estava da arte popular que eu queria fazer no começo. Falta a essa arte engajada de esquerda ideias outras que só políticas e econômicas. As pessoas também tem fome de amizade, carinho”, filosofa.  

Foi aí que o inquieto cearense decidiu sair de seu cômodo quadrado experimental e trazer o cinema mais narrativo de novos realizadores como André Novais e Adirley Queirós para seu trabalho. O resultado está no curta “Agreste” e em “O Tempo Não Existe no Lugar Onde Estamos”, seu nono longa e o primeiro realizado com recursos públicos.

Neles, o diretor alia sua dramaturgia mínima e sua autoficcionalização pessoal – a saída do Ceará no curta, e a perda de seu emprego como professor no longa – a narrativas que encontram o universal na poesia que ele constrói entre câmera e personagem. “Teve gente que veio falar comigo emocionado depois do ‘O Tempo’, dizendo que tinha vivido exatamente aquilo, a sensação de obsolescência. Fiquei emocionado, isso nunca tinha acontecido com meus filmes. Pensei ‘putz, finalmente consegui’”, confessa.

Aurora. Enquanto Dellani encontrava a afetividade em seu trabalho, seus “conterrâneos” cearenses chegaram na segunda à noite querendo colocar o público do festival no clima do amor. Só que de um amor mais “caliente”. Leia-se convidar a tudo e a todos a transar. Muito. E de todas as formas possíveis.

Essa é a proposta de “O Animal Sonhado”, longa que abriu a mostra Aurora na segunda-feira à noite. O filme reúne seis episódios, cada um comandado por um diretor diferente, em que todos os caminhos levam ao sexo. Na produção, os jovens realizadores Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes exploram as diversas combinações possíveis para afogar o ganso, tirar o atraso, ou qual expressão cretina você preferir usar.

No primeiro, dois meninos compartilham uma proximidade um pouco íntima demais após o treino de futebol no colégio. O segundo traz a tradicional festinha do prédio, em que dois penetras tentam se dar bem com duas mocinhas. O seguinte acompanha os efeitos causados por uma marombeira exibindo seus dotes físicos na academia. O quarto conta a história de um pai com uma obsessão nada saudável pelo vídeo da festa de 15 anos da filha. O próximo colhe os resultados da receita “churrasco na piscina + muita gente + pouca roupa”. E o último, e mais surreal, acompanha uma garota que foge de um ménage e cai em algo ainda mais amplo e democrático.

Com uma bela fotografia e um elenco de gente bonita e jovem reunida, “O Animal Sonhado” se destaca pela boa execução técnica. O maior mérito dos diretores está na encenação das preliminares como essa comunicação de corpos, que passa pelo olhar e termina na cama, no murinho, na parede, na escada ou onde der.

Mas o maior problema do filme é que a dramaturgia do roteiro é rasa.

O jornalista viajou a convite da Mostra.

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