O futuro chegou...

iG Minas Gerais |

acir galvao
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O futuro chegou. Não tão solar, tecnológico e divertido, como o pensado por Robert Zemeckis. Em que andaríamos de skates voadores, teríamos tênis em que os cadarços se amarrariam sozinhos e roupas que se ajustam automaticamente ao corpo. Tampouco tão sórdido, devastador e apocalíptico, como o imaginado por Ignácio de Loyola Brandão. No qual a floresta Amazônica virou um deserto, a superpopulação exige que as calçadas tenham placas de direção e não existem mais alimentos naturais. Zemeckis e Loyola Brandão são contemporâneos em suas criações do porvir. Ambos imaginaram seus futuros na – nem tão distante assim – década de 80. E, se o norte-americano acreditou na genialidade do homem, o brasileiro apostou no que ele tem de pior. Um acreditou na ideia de que o ser humano se beneficiaria da tecnologia para criar uma vida confortável, e o outro colocou suas fichas em que ele não faria a sua parte e iria sofrer as consequências disso. Vi “De Volta para o Futuro 2” e li “Não Verás País Nenhum” quando foram lançados. E, enquanto o filme me divertia, por me parecer pura ficção científica misturada à comédia e aventura, o livro me amedrontava: tudo parecia possível demais de acontecer. “Não Verás” é um livro que nunca deixou de me acompanhar pela atualidade que ele foi adquirindo ao longo dos anos. Me vejo citando o seu título devastador quando o assunto é a proliferação do câncer de pele, a repressão às manifestações populares, governantes medíocres, a desertificação das cidades, o caos das grandes metrópoles, o calor insuportável e... a falta de água. Curiosamente, o surgimento do computador com comando de voz, câmeras digitais superfinas, TVs de tela plana, videoconferências, PCs, drones e o cinema 3D nunca me fez lembrar de “De Volta para o Futuro 2”. Talvez porque a tecnologia entre em nossas vidas sem a gente refletir direito para o que ela serve, desde que ela sirva para facilitar nossas existências, no presente. E, ao contrário, a iminência de um mundo que vai perdendo a vida e nos empurrando para o caos nos obriga a pensar sobre o futuro, o nosso, o dos nossos filhos, o da Terra. Como profetas, não quero Zemeckis (não precisamos de uma sociedade tecnológica e consumista) nem Loyola (não podemos acabar com o planeta). Um futuro sustentável com a ajuda das inovações tecnológicas: alguém deve estar pensando nisso.

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