Catadora de SP devolve R$ 250 mil a hospital

Montante foi encontrado em formato de cheques dentro de uma agenda

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Recompensa.
 Com um filho de 3 anos, Ana Maurícia diz que irá aceitar trabalhar no hospital
Portal EPTV Ribeirao
Recompensa. Com um filho de 3 anos, Ana Maurícia diz que irá aceitar trabalhar no hospital

A catadora de materiais recicláveis Ana Maurícia dos Santos Cruz, 23, havia saído para mais um dia de trabalho, quando, na volta para casa, encontrou R$ 250 mil em cheques – valor 260 vezes maior do que os R$ 960 mensais que recebia de uma cooperativa. O envelope com os cheques endereçados ao Hospital do Câncer de Barretos foram devolvidos sem nenhum arrependimento. O exemplo de honestidade aconteceu em Barretos, no interior paulista. “Era um dinheiro que poderia mudar muito a minha vida, mas pensei nas crianças e nos idosos com câncer que estão no hospital e precisam do dinheiro”, afirma.

Ana conta que o dinheiro foi encontrado no terreno de depósito do hospital, debaixo de papelões e plásticos. “Eu vi uma agenda que achei bonita e decidi pegar pra mim. À noite, quando voltei para casa, nem cheguei a tomar banho e, quando fui olhar, tinha um envelope fechado. Achei estranho quando vi os cheques. Como na agenda não tinha nada escrito, vimos um número no envelope, e meu cunhado conseguiu entrar em contato com a secretária do Henrique Prata (diretor geral da instituição e filho do médico fundador do Hospital do Câncer de Barretos, Paulo Prata)”, lembra a catadora.

Única responsável pelo sustento dos pais e do filho de 3 anos, Ana diz que estava trabalhando como catadora havia quatro meses, mas já foi garçonete, babá e faxineira. “Trabalho das 8h até as 19h. É cansativo, porque não é só separar caixas, às vezes temos que buscar barras de ferro e arrastar PET e papelão, é pesado”, conta.

Com o marido usuário de drogas e preso por tráfico há dois anos e com mais dois de pena para cumprir, a filha de uma dona de casa e de um aposentado em jardinagem atribui o exemplo de honestidade aos pais.

“Morei dentro de barracão que ficava atrás de um brejo, e crescemos desse jeito, com educação, sempre humildes e honestos. Isso é o que também tento passar para o meu filho hoje”, afirma.

Mesmo agindo contra as opiniões de outras pessoas, a catadora não se arrepende. “Tem pessoas que me julgaram, dizendo que fui burra, otária, que deveria ter ficado com os cheques, mas fiz o que o meu coração pediu. As pessoas precisam, e dias melhores virão”, disse.

Recompensa

Trabalho. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o diretor da instituição ofereceu um emprego para Ana. “Ficaram de me ligar. Se eles me chamarem, vou aceitar trabalhar lá”, disse.

Dinheiro era de leilões, diz hospital

Origem do dinheiro:

Por nota, a assessoria de imprensa do hospital disse que os cheques são de um leilão vindo de Mato Grosso. “Não sabemos ainda como o Sedex foi parar no lixo”.

Segundo o hospital, os leilões são o carro-chefe da captação de recursos. “Em 2014 foram arrecadados R$ 57 mi (desse valor, R$ 37 mi referentes a leilões) com os 402 eventos”.

A instituição informou ainda que “é a primeira vez em que esse tipo de situação acontece” e que “quem faz a doação pode ficar tranquilo e ter a certeza de que trabalhamos com transparência”, mas pede para que os doadores direcionem os valores para a Fundação Pio XII.

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