Medo de superlotação cancela Carnaval em Lagoa da Prata

Prefeitura tomou decisão após cidades vizinhas suspenderem festas

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA |

Depredação. No Carnaval de 2012, cruz datada do século XIX foi danificada por foliões embriagados
Eduardo Tropia/ouropress/Divulgação – 22.02.2012
Depredação. No Carnaval de 2012, cruz datada do século XIX foi danificada por foliões embriagados

A crise hídrica que afeta o país cancelou o Carnaval em mais uma cidade mineira, desta, vez Lagoa da Prata, na região Centro-Oeste do Estado. Após o cancelamento de festas em cidades próximas, como Arcos, Oliveira e Formiga, a prefeitura do município ficou com receio de que os foliões pudessem migrar em peso para Lagoa da Prata, que não teria capacidade de comportar tantos turistas. Com a decisão, publicada nesta terça, a região passa a contar com 13 dos 16 municípios de Minas que cancelaram as festividades em 2015.

Em nota, a prefeitura da cidade informou que não teria “a necessária segurança para os visitantes e a população de Lagoa da Prata”, e “que o município já havia reservado os recursos e preparado toda a estrutura para a festa”, não tendo “problemas com racionamento de água e nem financeiro”. A nota é finalizada afirmando que “o cancelamento foi um ato de prudência e responsabilidade, pensando exclusivamente na segurança pública e estrutural para o número maior de visitantes”.

O secretário de Cultura e Turismo de Lagoa da Prata, Junior Nogueira, afirmou que o processo licitatório para a produção dos eventos estava marcado para esta segunda e foi cancelado. A administração municipal investiria cerca de R$ 280 mil no evento, recurso que será diluído em festas futuras.

“Ficamos apreensivos com relação a esses anúncios de cancelamento, que ocorreram na semana passada. Segundo previsões de órgãos de segurança, o contingente (de pessoas) que viria para cá iria aumentar muito, ficamos preocupados que esse volume pudesse ser muito maior”, explicou Nogueira.

Tradição. O Carnaval de rua de Lagoa da Prata – que tem 50 mil habitantes – já é realizado há 40 anos. No ano passado, mais de 30 mil pessoas participaram dos eventos.

Com o cancelamento, ainda permanecem dúvidas sobre o que ocorrerá para alguns setores. Marília Bernardes, que é gerente de um hotel da cidade, ainda não sabe como será durante o feriadão. “Não tivemos muitas reservas, somente umas 15 pessoas, até porque não houve muita divulgação. Deixa de haver arrecadação, é claro, mas realmente havia um temor de um acúmulo indevido de pessoas”, explicou.

Para o gerente de outro hotel, Leonardo Antônio, o prejuízo não deve ser significativo. “Já recebemos ligações de pessoas perguntando como vai ser, mas nenhuma cancelou ainda”.

A prefeitura informou que todos os eventos são públicos, portanto não haverá necessidade de reembolso de pacotes ou ingressos.

Região já registra várias suspensões A decisão de Lagoa da Prata segue a linha adotada por Carmópolis de Minas, também na região Centro-Oeste, que optou por se precaver da falta de água. O problema hídrico também foi motivo para cancelar o Carnaval nas cidades de Itaguara, Itapecerica, Oliveira e São Gonçalo do Pará, todas na mesma região. Por motivos financeiros, cancelaram as festas as prefeituras de Passa Tempo, Carmo da Mata, Mateus Leme, Formiga, Santa Maria de Itabira, Arcos, Piracema, São Francisco de Paula, e Cláudio.

Cuidados com o patrimônio histórico

Regras. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e o Ministério Público de Minas Gerais divulgaram uma lista com onze cuidados a serem tomados pelas cidades mineiras para que não haja danos ao patrimônio público ou aos foliões durante o Carnaval, principalmente em cidades históricas como Ouro Preto e Diamantina. Recomendação. O documento foi entregue às prefeituras e aos promotores de cada região. A lista inclui itens de segurança para a população, entre eles manter distância de bens culturais e da rede elétrica e uma restrição à venda de bebidas em garrafas de vidro. Há ainda um lembrete para que cada prefeitura informe aos foliões que não lancem serpentinas, confetes, balões, foguetes, rojões e outros adereços em direção à rede elétrica e que utilizem sempre os banheiros públicos.

Prevenção. O documento tem como objetivo evitar incidentes como a quebra de uma cruz do século XIX, em Ouro Preto, durante o Carnaval de 2012. Na ocasião, quatro mulheres bêbadas subiram no monumento. Em 2011,16 pessoas morreram eletrocutadas em Bandeira do Sul, no Sul do Estado, após uma serpentina metálica ter sido jogada na rede elétrica.

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