Meu carro virou um pesadelo

iG Minas Gerais |

No meio de 2013, acreditei que estava realizando um grande sonho. Consegui comprar meu primeiro carro zero-quilômetro. Tinha um carro usado muito velho. Ele ficava mais parado do que rodando. Tinha juntado um dinheiro que deu para dar uma entrada de 20%. Para o restante, eu usei um empréstimo em 48 parcelas de R$ 737. No início, estava conseguindo pagar as prestações, e tudo era só festa. Minha mulher e meus filhos adoraram o carro. Mas a partir de março do ano passado, as coisas complicaram. A empresa onde eu trabalho proibiu as horas extras que garantia boa parte do meu salário. Aí a coisa complicou. Hoje, estou com algumas contas de casa atrasadas e, o mais grave, com três prestações do financiamento do carro vencidas. Como eu posso sair dessa situação? (Guilherme – Mário Campos-MG) Guilherme, infelizmente, a sua história retrata o que está ocorrendo com muitas famílias brasileiras. Nos últimos anos, ajudados pelo aumento de renda e ampliação do crédito, muitos brasileiros conseguiram realizar o sonho da compra de um automóvel. Mas muitos fizeram a compra sem refletir as mudanças que a realização desse sonho traz para a vida financeira da família. Quando se fala na aquisição de um veículo, a maior preocupação das pessoas é a prestação do financiamento (a maior parte das vendas é financiada). Acreditam que se conseguirem pagar a prestação mensal, está tudo resolvido. Grande engano! A aquisição de um veículo traz uma série de novos gastos para a família. Para o carro andar, ele precisa de combustível. Para poder circular pelas ruas, é preciso pagar alguns tributos como IPVA, seguro obrigatório e taxa de licenciamento. Para preservar o patrimônio e ter tranquilidade em caso de algum acidente, é fundamental que se tenha um seguro. Além desses gastos, há os gastos de manutenção. Mesmo um carro zero-quilômetro precisa de ser lavado periodicamente e em pouco tempo já exigirá uma troca de óleo. Com isso, ao valor da parcela, somam-se os gastos de combustível, impostos, seguro e manutenção. Para muitas famílias todos esses novos gastos trouxeram o desequilíbrio orçamentário. Já não é possível pagar todas as contas do mês, e o atraso de algumas se torna parte da rotina. Talvez tenha sido o que aconteceu contigo. Outro erro grave que você cometeu foi contar em seu orçamento com um valor que é ocasional, suas horas extras. Não se pode comprometer um valor que não está garantido todo mês. Tanto é que em um determinado momento você não conseguiu ganhar mais. Nosso orçamento deve se basear nos nossos ganhos garantidos. Para sair dessa situação, você tem dois caminhos. O primeiro deles é tentar reequilibrar o seu orçamento. Cortar algumas despesas, tentar aumentar sua renda com alguma atividade extra. Se for possível, você poderá pouco a pouco ir pagando os seus atrasados. Pode, inclusive, utilizar algum extra que receber (como férias, participação nos lucros, caso sua empresa distribua) para quitar a dívida. Caso não seja possível reequilibrar o orçamento, a única saída é vender o carro e quitar a dívida. Assim você poderá se reorganizar financeiramente e planejar mais adequadamente a realização de seus sonhos, que pode ser inclusive a compra de um novo carro. Mas refletindo melhor! Um 2015 de hábitos financeiros saudáveis para você e para todos os nossos leitores.

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