Os 90 anos da “gravatinha”

iG Minas Gerais |

Chevrolet/Divulgação
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Esta é uma semana importante para a história da indústria automobilística brasileira. Há 90 anos, no dia 26 de janeiro de 1925, no 2º Tabelionato de São Paulo, era constituída a empresa Companhia Nacional de Motores, que logo seria conhecida como General Motors do Brasil (GMB). Detentora de muitas outras marcas de automóveis, a GM, por aqui, se consagrou com a Chevrolet, a marca da “gravatinha”, que se tornou a principal identificação quando nos referimos aos veículos da montadora. Primeiramente foi construído um galpão no bairro Ipiranga para montagem dos automóveis que vinham da matriz, nos Estados Unidos, em CKD. Foi em 1957 que se iniciou a fabricação dos primeiros Chevrolet genuinamente brasileiros. Começaram com caminhões e picapes, e, dez anos depois, em 1968, a GMB lançou seu automóvel de passeio, que se tornou um ícone na história da empresa e uma lembrança viva para milhares de admiradores. Como nossa homenagem à quase centenária marca, abrimos nosso espaço, hoje, para relembrar uma curiosidade acerca do Opala, um dos mais importantes automóveis de nossa história. “Uma joia de carro”. Foi esse o slogan usado na campanha publicitária de apresentação do primeiro automóvel de passeio fabricado pela GM no Brasil. O nome foi escolhido em um concurso interno de que participou parcela dos milhares de colaboradores da montadora com sede em São Caetano do Sul (SP). Mas, apesar de a chancela contar com a simpatia do corpo diretor da empresa, não foi assim, de uma forma tão espontânea e democrática, a ratificação da alcunha Opala para dar nome ao carro. A culpa foi atribuída à imprensa, que, como sempre, em seu papel de antecipar a notícia, descobriu, por meio de fontes ligadas à fábrica, o que acontecia nos bastidores e não hesitou em publicar. Vale a pena conhecer na íntegra como aconteceu todo esse imbróglio. Publicamos, em seguida, parte do material de divulgação distribuído aos jornalistas especializados que cobriam o setor há 40 anos. “Um bom carro precisa também de um nome. É uma questão de imagem, de que nos falam com entusiasmo os peritos em psicologia de vendas. Ao produzir seu primeiro automóvel de passageiros, a General Motors do Brasil deixou para depois de solucionadas todas as questões de caráter tecnológico, industrial e comercial o batismo desse carro. Em janeiro do corrente ano, já em plena escalada final do projeto, o Chevrolet brasileiro ainda estava sem nome. Mas uma reunião de diretoria, então realizada, escolheu o nome oficial e definitivo do carro”. Dois anos antes, a fábrica tinha realizado uma coleta de sugestões entre seus funcionários. Centenas de nomes foram classificados e, depois de uma cuidadosa triagem, restaram apenas seis. Um deles era justamente Opala. Segundo o material distribuído na ocasião, o nome “vazou” na imprensa e foi divulgado. A notícia ganhou coro, e, na sequência, muitos outros jornalistas embarcaram na informação, assinaram embaixo e confirmaram em seus espaços que aquele era mesmo o nome escolhido. Opala, além de ter caído no gosto do público, era o nome de uma pedra preciosa ou uma junção de parte das palavras “Opel” e “Impala”. Sendo assim, não restou alternativa à direção da montadora, que confirmou Opala como sendo o nome daquele que viria a ser um verdadeiro ícone em nossa indústria. O modelo deixou saudades ao ter sua produção encerrada, em 1992, depois de serem montadas quase 1 milhão de unidades. Muitas delas, ainda hoje, em excelente estado de conservação. Parabéns à General Motors do Brasil.

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