PF vai investigar Andrade Gutierrez e mais oito empresas

Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse na delação que recebeu propina da empreiteira

iG Minas Gerais |

Delator. 

Paulo Roberto Costa disse ter recebido propina da Andrade Gutierrez, o que motivou a investigação
ANDRE DUSEK
Delator. Paulo Roberto Costa disse ter recebido propina da Andrade Gutierrez, o que motivou a investigação

SÃO PAULO. A Polícia Federal instaurou nesta terça novos inquéritos no âmbito da operação Lava Jato para investigar possíveis irregularidades cometidas por mais um grupo de empresas fornecedoras da Petrobras. No total, mais nove inquéritos serão somados aos cerca de 120 já existentes. As novas investigadas são: Andrade Gutierrez, MPE Montagens Industriais, Alusa, Promon, Techint, Skanska, Carioca Engenharia, Schahin e Setal Engenharia Construções e Perfurações.

Segundo a Polícia Federal, também serão investigados dirigentes e funcionários dessas empresas eventualmente envolvidos em irregularidades.

A Andrade Gutierrez foi denunciada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Em seu depoimento de delação premiada, ele admitiu ter recebido propina da Andrade Gutierrez e afirmou que o lobista Fernando Soares era muito próximo do empresário Otávio Marques de Azevedo, presidente da holding da empreiteira, com quem tinha, inclusive, “algum negócio comum”.

Costa afirmou que o PP teve dificuldades de receber sua parte na propina a ser paga pela Andrade Gutierrez e que em determinado momento todos os valores pagos pela empreiteira deixaram de ser gerenciados por Alberto Youssef, operador do PP, e passaram a ser cobrados e geridos por Soares, o operador do PMDB.

Azevedo é considerado um dos executivos mais influentes do Brasil. Antes de se transferir para a iniciativa privada, trabalhou na Cemig e na Telemig, atuou no programa de privatização das teles durante o governo de Fernando Collor de Melo e teria atuado na linha de frente na fusão entre Oi e Brasil Telecom. Na ocasião, a Andrade Gutierrez também informou que não iria se pronunciar, uma vez que não foi notificada e não tem conhecimento sobre o depoimento de Costa.

Essas empresas já haviam sido citadas na Lava Jato, em contratos individuais ou em consórcio com as empreiteiras já investigadas na sétima fase da operação, cujos executivos já são réus em ações, sendo que 11 deles estão presos na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Segundo a PF, a instauração de mais inquéritos é necessária para aprofundar e organizar as investigações sobre fraudes em contratos com a Petrobras.

Procurada, a Andrade Gutierrez afirmou que não foi notificada e não pode comentar sem fatos concretos. Voltou ainda a ressaltar que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela operação Lava Jato.

Youssef pagou propina a assessor BRASÍLIA. O doleiro Alberto Youssef afirmou em delação à Polícia Federal que efetuou pagamento de propina a um integrante do alto escalão do governo Roseana Sarney no Maranhão em nome da UTC no dia de sua prisão. Ele foi preso em março, em um hotel de São Luís (MA), durante as investigações da operação Lava Jato. Segundo Youssef, a entrega do dinheiro ocorreu momentos antes da prisão. Ao perceber que seria detido, ele diz ter levado R$ 1,4 milhão ao quarto de um emissário do então secretário da Casa Civil de Roseana Sarney, João Abreu. Depois disso, “retornou ao quarto e ficou esperando a polícia chegar”, de acordo com relato à Polícia Federal.

Mendes Júnior

Defesa. O vice-presidente da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, tenta derrubar a acusação de corrupção ativa na acusação de pagamento de propina com a alegação de que foi montado um “esquema de achaque” na Petrobras e que, por essa razão, a denúncia de corrupção feita pelo Ministério Público Federal não se sustentaria. Tática. A defesa do executivo sustenta que ele foi vítima de extorsão e da prática de concussão e que, portanto, não deveria ser punido por corrupção ativa. A estratégia revela uma articulação das empreiteiras.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave