Metade das casas noturnas fiscalizadas apresentam irregularidades

A mais comum nos estabelecimentos é a presença de seguranças clandestinos, alguns até portando armas não letais como sprays de pimenta e armas de choque

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Alguns dos materiais apreendidos com seguranças clandestinos nas casas fiscalizadas
Divulgação/ Polícia Federal
Alguns dos materiais apreendidos com seguranças clandestinos nas casas fiscalizadas

A primeira fase da operação "NIX I" realizada pela Polícia Federal em Varginha, Três Corações e Três Pontas, no Sul de Minas, terminou com uma estatística significativa: 50% das casas noturnas destes municípios continham irregularidades. A principal delas é a presença de vigilantes clandestinos, em alguns casos, até munidos de armas não letais como sprays de pimenta e armas de choque. 

De acordo com o delegado João Carlos Giroto, da delegacia de Varginha, o objetivo da ação foi identificar o uso de seguranças clandestinos nos estabelecimentos noturnos. "Em metade dos lugares fiscalizados nós encontramos vigias clandestinos sem qualificação e não vinculados a nenhuma empresa de segurança, inclusive portando armas como spray de pimenta e armas de choque. Essas armas, apesar de não letais, tem grande potencial ofensivo, como a arma de choque, por exemplo, que em alguns casos podem até causar uma parada cardíaca", explica.

Além desta, as outras irregularidades mais comuns verificada nos estabelecimentos foram a presença de menores de idade, alguns até de 12 ou 13 anos, e a venda de bebidas alcoólicas adulteradas. As bebidas foram apreendidas e encaminhadas para a Receita Federal e um inquérito policial foi instaurado para apurar as infrações.

Já no caso dos menores, a Polícia Federal repassou a situação para os respectivos Conselhos Tutelares dos municípios.

Quanto aos seguranças clandestinos, os responsáveis pelos estabelecimentos foram notificados e os vigias não vinculados a empresas de vigilância credenciadas não poderão mais exercer a função nas respectivas casas.

O motivo da contratação dos vigias clandestinos, segundo o delegado, é a "contenção de gastos". "Essas casas já tem um lucro gigantesco, mas por medidas de economia, por buscar um lucro ainda maior, elas não contratam empresas credenciadas. Optam pela contratação boca a boca. Quem perde é o usuário do estabelecimento, que não vai poder contar com uma pessoa devidamente habilitada para agir em eventuais imprevistos", diz.

Ainda conforme Giroto, o que é permitido nesses estabelecimentos é a presença de um porteiro, uma pessoa que assume serviços como recolher os bilhetes de entrada. "Mas aquelas figuras que ficam rondando o local, que andam preto por ali, não. Só se for de uma empresa credenciada para este fim", conclui.

Por enquanto, os estabelecimentos que apresentaram as irregularidades não serão interditados. Eles só correm o risco de serem fechados caso haja uma nova fiscalização e as irregularidades se tornem reincidentes. Neste caso, o responsável pela casa pode até ser preso por desobedecer uma ordem legal.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Minas Gerais, Romualdo Alves Ribeiro, disse que a categoria é favorável a esse tipo de fiscalização. "Somos favoráveis a ações como essa da Polícia Federal e esperamos que elas continuem para acabar com essa atividade irregular no Estado. Nós mesmos, do sindicato, denunciamos atos como este em diversas cidades de Minas", diz. 

A operação "NIX I" da Polícia Federal irá se estender também para outros municípios do Sul de Minas.