Prefeitos acusam Copasa de negligência em crise da água

Gestores de 34 cidades afirmam que pediram ajuda e alertaram sobre problemas, mas foram ignorados

iG Minas Gerais | ana paula pedrosa e bernardo miranda |

Reunião. Governador se reuniu ontem com os 34 prefeitos da região metropolitana da capital
Manoel Marques
Reunião. Governador se reuniu ontem com os 34 prefeitos da região metropolitana da capital

Os prefeitos das cidades da região metropolitana de Belo Horizonte reclamam que nos últimos anos não receberam os investimentos prometidos pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e que alertaram o órgão sobre os riscos de uma crise hídrica. Os gestores das 34 cidades se reuniram ontem com o governador Fernando Pimentel (PT) para discutir o problema. Em meio à crise e às críticas da falta de obras e de transparência na gestão passada, Ricardo Simões, ex-presidente da Copasa, pode ser convocado para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG).

As reclamações sobre a ausência de obras para expansão do fornecimento de água e da rede de coleta de esgoto saem até de municípios que recebem o reservatório do Rio Manso, o maior do sistema de abastecimento da região metropolitana. Esse é o caso de Brumadinho, onde o prefeito Antônio Brandão (PSDB) não conseguiu que a Copasa cumprisse seus compromissos.

Em 2008, a Copasa firmou convênio para fornecer água ao município por 30 anos. Por contrato, ela deveria levar a rede de água tratada para os nove distritos e povoados de Brumadinho até 2010. A rede de esgoto deveria estar concluída até 2014. “As obras que deviam estar prontas nem começaram, e tivemos dificuldade até de conseguir uma reunião com a Copasa para cobrar”. Segundo ele, a prefeitura furou 18 poços artesianos e gasta sete caminhões-pipa ao dia para garantir o abastecimento.

Já a prefeita de Rio Manso, Neide Lucena (PTC), conta que a coleta e tratamento de esgoto é inexistente e que, dos 14 povoados da cidade, dez não têm rede de abastecimento de água. “Parecia que a Copasa era nossa inimiga. Estamos pedindo o esgoto há mais de 20 anos. A instalação custaria R$ 12 milhões”. Sem o serviço, Rio Manso e Brumadinho jogam o esgoto em fossas e córregos que vão parar no reservatório Rio Manso, dificultando ainda mais o tratamento da água para o abastecimento.

Outro problema apontado pelo secretário de Estado de Transporte e Obras, Murilo Valadares, é que a Cemig não instala as redes elétricas necessárias para fazer os poços artesianos funcionarem. A Cemig informou que um profissional está verificando os problemas. A reportagem tentou contato com Ricardo Simões, sem sucesso.

Convocação

Assembleia. O deputado Durval Ângelo (PT) apresenta amanhã, na comissão de Direitos Humanos, pedido de convocação Ricardo Simões. Ele deverá dar esclarecimentos sobre a crise hídrica.

“A Copasa não honrou os compromissos, e a prefeitura teve que investir recursos próprios para amenizar o problema. Furamos 18 poços artesianos, mas eles já não produzem tanta água.”

Antônio Brandão (PSDB) - Prefeito de Brumadinho

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