Retalhos de tecidos e edificações modernistas como inspiração

Marina RB e Walter Gam levam gravura, serigrafia e aquarela à mostra Jovens Artistas Mineiros

iG Minas Gerais | Daniel Toledo |


“Dupla Dobra”, de Marina RB, investe nas texturas de tecidos
Guto Muniz
“Dupla Dobra”, de Marina RB, investe nas texturas de tecidos

As mostras “Dupla Dobra” e “Cinza Fluorescente” assumem, a partir de amanhã, a sala de exposições do Memorial Minas Gerais, na praça da Liberdade, dentro da programação do Verão Arte Contemporânea. Nesta nova edição do Ciclo de Exposições de Jovens Artistas Mineiros, Marina RB e Walter Gam recorrem a elementos do passado para repensar o presente e a arte.

Foi a partir de numerosos retalhos de tecido herdados de sua avó e sua bisavó que Marina RB teve as primeiras ideias de “Dupla Dobra”. Atenta às diferentes texturas dos tecidos e às possíveis articulações com o campo da gravura, Marina criou boa parte dos trabalhos que integram a exposição. “É interessante perceber, nesse caso, que a memória subjetiva desses retalhos acaba importando menos que suas texturas. A partir de uma série de rebatimentos entre um suporte e outro, as estampas e texturas chegam ao metal como um tipo de decalque”, sintetiza.

Marina apresenta também um conjunto de serigrafias em que retalhos são convertidos em falsas peças de mármore. “Essa série explora a manipulação tanto física quanto conceitual da matéria. Me interessa negar qualquer dicotomia entre dobra e desdobra, assim como entre o falso e o real. Acho mais instigante pensar na tensão entre esses polos”, completa.

Enquanto Marina recorre a acervos familiares, Walter Gam encontra em paisagens distantes a matéria-prima do conjunto de aquarelas “Cinza Fluorescente”. “Esse trabalho tem origem na minha relação com o Modernismo, visto como uma espécie de utopia fracassada do último século. Estimulado por uma frase do Beckett, comecei a pesquisar edifícios que foram construídos dentro daquele contexto e acabaram totalmente perdidos nos dias de hoje”, resume o artista.

Após reunir essas fotografias, Gam deu início à produção das aquarelas com tintas preta e cinza. “Esses edifícios, muitos em formato de torre ou guarita, deixam ver certa ingenuidade na perspectiva que se tinha do futuro e questionando em que medida seguimos repetindo erros e acertos do passado”, analisa.

Agenda

O quê. “Dupla Dobra” e “Cinza Fluorescente”

Quando. De amanhã a 29/3 (3ª, 4ª, 6ª e sáb., das 10h às 17h30; 5ª, das 10h às 21h30; dom., das 10 às 15h30)

Onde. Memorial Minas Gerais (praça da Liberdade, s/nº)

Quanto. Entrada gratuita

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